Claudio Castro favoreceu ações ilegais atribuídas à Refit, diz Polícia Federal

Uma das facilidades dadas ao foragido Ricardo Magro foi a edição de uma lei que levou o nome do empresário reduzindo em 95% a dívida do grupo com o estado do Rio de Janeiro.
Com o nome na lista da Interpol, Magro está foragido. Foto: Internet/Magro Advogados Associados.

O governo de Cláudio Castro no Rio de Janeiro  deu sustentação à existência, no Estado, de um cenário favorável a “atividades espúrias” atribuídas à Refit, antiga refinaria de Manguinhos, promotora do maior esquema de sonegação de impostos do Brasil, do ex-advogado Ricardo Magro, um dos alvos da operação policial Sem Refino, realizada nesta sexta-feira, 15. Ele está foragido.  Calcula-se que a sonegação comandada por Magro chegue a R$ 26 bilhões.

Os investigadores, segundo a CNN, dizem que o governo de Castro deu anuência as ações ilícitas que são objeto da operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. Fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação de refinaria vinculada ao grupo de Magro são investigadas.

A PF diz que o governo de Castro ajudou a perpetuar fraudes fiscais bilionárias no setor de combustíveis, ao ter articulado, entre outras ações, um refinanciamento desenhado para atender aos interesses da empresa, com potencial para reduzir em até 95% a dívida da empresa com o Estado.

A suspeita é a de que o então governador tenha articulado a edição de uma lei complementar em 27 de outubro de 2025, criando o Programa Especial de Parcelamento de Créditos Tributários e Não Tributários do Estado do Rio de Janeiro. A norma, segundo a investigação, foi apelidada de “Lei Ricardo Magro”, porque as condições previstas no texto atenderiam diretamente aos interesses do conglomerado Refit.

Cláudio Castro, alvo de busca e apreensão – segundo a CNN seu celular foi apreendido –  nega qualquer ilícito envolvendo fraudes tributárias e benefícios ao grupo Refit.  Sua defesa disse que o ex-governador está “à disposição da Justiça para dar todas as explicações,” “convicto de sua lisura”.

A Refit, segundo a PF, é suspeita de se utilizar da estrutura societária e financeira do conglomerado para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior.

Na ação, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e 7 medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, de São Paulo e no Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal.

Moraes determinou a inclusão de Ricardo Magro na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

A Justiça ainda determinou o bloqueio de, aproximadamente, R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.

A investigação integra as apurações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da ADPF 635/RJ, relacionada à atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no estado do Rio de Janeiro.