Festival marca os 114 anos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, construída por homens de mais de 40 países

Construída em meio aos desafios da floresta amazônica, entre 1907 e 1912, a Madeira-Mamoré surgiu em razão do acordo do Tratado de Petrópolis, para garantir o escoamento da produção de borracha boliviana pelo rio Madeira, muito encachoeirado, e que representava obstáculos perigosos e muitas vezes intransponíveis para a navegação. 
Complexo da EFMM é o maior patrimônio histórico de Rondônia. Foto: Divulgação/Secom.

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, obra épica na Amazonia concluída em 1º de agosto de 1912, completa 114 anos, e para marcar a data está sendo realizado até domingo, 2 de agosto, o Festival Madeira-Mamoré, em Porto Velho, capital de Rondonia, com entrada gratuita e extensa programação, já iniciada no dia 31 de julho.

A ferrovia é o maior patrimônio histórico e cultural de Rondônia. O evento esta ocorrendo no Complexo da EFMM, à magem do Rio Madeira, centro da cidade. Shows musicais, apresentações culturais e atividades diversas voltadas para diferentes públicos são parte da programação, fortalecendo o espaço, que conta com passeio turístico de locomotiva revitalizada e museu,  como um importante ponto de encontro da história, cultura e lazer em Porto Velho.

Construída em meio aos desafios da floresta amazônica, entre 1907 e 1912, a Madeira-Mamoré surgiu em razão do acordo do Tratado de Petrópolis, para garantir o escoamento da produção de borracha boliviana pelo rio Madeira, muito encachoeirado, e que representava obstáculos perigosos e muitas vezes intransponíveis para a navegação.

Milhares de trabalhadores de mais de 40 nacionalidades enfrentaram doenças, o inóspito clima e obstáculos naturais, tornando a ferrovia conhecida mundialmente por ser, inclusive, a primeira a ser feita nas condições mencionadas, ligando por trens Porto Velho a Guajará-Mirim, município fronteiriço com a Bolívia, no total de 364 quilômetros.

“A partir desse dia (1º de agosto) cessava a navegaçao no trecho das cachoeiras do rio Madeira. A navegação desse trecho perigoso do Alto Rio Madeira, que se iniciara em 1722 com Francisco de Melo Palheta, cessava agora em 1912. Durante 190 anos, o homem subira e descera aquela seção encachoeirada do rio, a todo momento vítima de naufrágios, de doenças e dos ataques dos índios. Milhares de homens haviam assim perdido suas vidas, durante quase dois séculos, naquelas cachoeiras. Agora, o progresso e a técnica haviam vencido. A navegação seria substituída pela locomotiva a vapor,” diz trecho do livro “A Ferrovia do Diabo,” de autoria do jornalista Manoel Rodrigues Ferreira. É a mais minuciosa e completa obra sobre essa fantástica máquina da engenharia da época.

Mais de 1.500 trabalhadores morreram tentando vencer a selva. Ao redor dos trilhos surgiu o local que anos mais tarde daria origem à cidade de Porto Velho. Manoel, também historiador e sertanista, desmonta a afirmação, que não se sabe ao certo a origem, sobre a mortandade de trabalhadores – “cada dormente representa uma vida humana.”

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, quando parou de funcionar, ficou bom tempo abandonada e sujeita ao roubo de peças e trilhos, sem manutenção no parque e galpões localizados na estação central de Porto Velho. Recebeu  alguma revitalização por parte de alguns governos estaduais, em parte graças à pressão dos antigos ferroviários e de associação destinada a preservar o patrimônio.

O prefeito de Porto Velho Leo Moraes (Podemos) reforça que preservar a memória da ferrovia é um compromisso com a identidade da cidade. “Celebrar os 114 anos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é reconhecer a importância de um patrimônio que ajudou a construir Porto Velho. Nossa gestão trabalha para preservar esse legado, fortalecer o turismo e garantir que a história da nossa cidade continue sendo conhecida e valorizada por todos.”

A programação deste sábado, 1º:

  • 17h: Lançamento do livro “A Ferrovia Desgovernada – Narrativas de 1966 a 2026 – 60 anos,” no deck do complexo.
  • 18h: Show com Silvinho Santos, e
  • 20h: Show com Forró Madeira.
Domingo, 2:
  • 16h: Abertura da campanha Agosto Lilás e celebração dos 20 anos da Lei Maria da Penha com o Levante Feminino.
  • 18h: Show com Thiago Paiva, e
  • 20h: Show com Amancio Lima.

O festival é realizado pela Prefeitura de Porto Velho por meio da Fundação Cultural de Porto Velho (Funcultural).