Bolsonaro era o “principal destinatário” do resultado de ações clandestinas da Abin, diz PF

Foram indiciadas 36 pessoas, entre as quais Bolsonaro, Alexandre Ramagem e Carlos Bolsonaro.
Jair Bolsonaro e Carlos Bolsonaro definiam estratégia para as ações ilegais da Abin. Foto: Lula Marques/ABr.

Com mais de 1,2 mil páginas, relatório final da Polícia Federal aponta que o ex-presidente Jair Bolsonaro era o principal destinatário  do resultado de “ações clandestinas” realizadas pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), cujo sigilo foi levantado nesta quarta-feira, 18, pelo ministro Alexandre de Moraes. As informações são do G1.  

No portal do STF, o ministro Moraes explica que a decisão de derrubar o sigilo do relatório foi a constatação de vazamentos seletivos de trechos do relatório policial, que “resultaram em matérias contraditórias na imprensa.”

“Em que pese o sigilo dos autos, lamentavelmente, vêm ocorrendo inúmeros vazamentos seletivos de trechos do relatório apresentado pela autoridade policial, com matérias confusas, contraditórias e errôneas na mídia”, afirmou o relator.

Para o relator, a continuidade de vazamentos seletivos pode prejudicar a instrução processual. Foi mantido o sigilo apenas das petições relacionadas a dados bancários e fiscais dos investigados.

O documento é resultado das investigações sobre a chamada “Abin Paralela,” esquema de monitoramento e espionagem de autoridades, políticos e jornalistas, avaliados como adversários do governo Bolsonaro.

 A Polícia Federal  indiciou 36 pessoas. Isso não significa que essas pessoas são culpadas pelos crimes relatados no documento, mas que há elementos de que condutas ilegais tenham sido cometidas.

Entre os indiciados estão o então chefe da Abin, hoje deputado Alexandre Ramagem (PL), que teria dirigido a instrumentalização da Agência para atender demandas do núcleo político do então presidente, e o vereador Carlos Bolsonaro.

A PF diz que pai e filho definiam as diretrizes estratégicas do esquema, e o objetivo da estrutura clandestina de inteligência era “proteger interesses políticos e familiares, atacar opositores e desacreditar instituições democráticas.”

No relatório, a PF disse que há “evidências que corroboram a concorrência do então Presidente da República das ações delituosas perpetradas na Abin”.

Segundo a PF, as diligências policiais realizadas resultaram na identificação de organização criminosa responsável pela apropriação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).