A política brasileira não acredita em ciência, diz presidente da ABC

Presidente da Academia Brasileira de Ciências, Helena Nader esteve em fórum do Brics; ela diz que o Brasil não quer ser grande, a única opção, de todos os governos, é pagar dívida.
Helena Nader: Senado incluiu mas Câmara derrubou que investimentos em ciência ficassem de fora do arcabouço fiscal. Foto: Fernando Frazão.

A biomédica e presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader, teme que o Brasil fique cada vem mais distante dos demais países do Brics, especialmente os asiáticos, em relação ao desenvolvimento da ciência. Em entrevista à Agência Brasil publicada no domingo, 6, quando líderes do Brics se reuniram no Rio de Janeiro, Nader declarou que a política brasileira não acredita em ciência e o Brasil também não.

“O Brasil não acredita em ciência. A política brasileira não acredita em ciência. Ela fala que isso que é importante, mas não acredita. Quando o Senado Federal colocou que o Ministério de Ciência e Tecnologia e todos os projetos de ciência nos outros ministérios não entrariam no arcabouço fiscal, a Câmara derrubou,” disse após participar do Fórum de Academias de Ciência do Brics. Ela defende mais investimentos em ciência e tecnologia e maior cooperação do Basil com os países do grupo.

Nader disse que a China tem laboratórios nacionais espalhados por todo o país, e que se antes já investia em educação, avançou muito em ciência porque decidiu “ser o senhor do mundo.” O país asiático sabe que precisa da ciência e nela investe.

“Sabe quantos criomicroscópios tem na China? Mais de 120. Sabe quantos tem no Brasil? Funcionando, dois. E um terceiro vai ser instalado. Então, são opções,” disse, lamentando que no Brasil tudo que se faz de ciência está praticamente concentrado no Rio de janeiro e em São Paulo.

“O Brasil não quer ser grande. Eu já falei isso no Congresso Nacional e insisto. Independentemente de quem é o governo, todos os ministros da fazenda, da economia, o nome que você quiser dar, a única ocupação é pagar a dívida,” declarou.

Em 2024, pesquisadores do bloco do qual originalmente é constituído por Brasil, Índia, China e Rússia, produziram 41% das publicações científicas do mundo, superando a proporção dos países do G7, segundo a Agência Brasil

Para Nader, o Brasil está ficando para trás em comparação com outros países do bloco, especialmente os asiáticos. “Eles acreditam em ciência. Olha a Coreia o que fez. Olha a produção científica da Malásia hoje! A academia deles foi criada em 1995. Vai ver o Vietnã como está. O Vietnã saiu de uma guerra, gente. Agora, no Brasil, a política brasileira não está enxergando que a ciência é a solução,” declara.

Leia a entrevista na íntegra na Agência Brasil.