Cid reafirma que Bolsonaro leu minuta que previa novas eleições e prisão de autoridades

STF começa a ouvir testemunhas indicadas pelas defesas dos réus dos núcleos 2, 3 e 4, por videoconferência. Jornalistas podem acompanhar mas o relator proibiu fazer imagens.
Tenente-coronel Mauro Cid é único delator na investigação. Foto: Antonio Cruz/ABr.

Em depoimento na condição de informante, nesta segunda-feira, 14, o tenente-coronel Mauro Cid confirmou à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal que o ex-presidente Jair Bolsonaro teve contato e leu o documento que previa a decretação de novas eleições e prisão de ministros da Corte em 2022. O documento, durante as investigações, foi denominado pela mídia de minuta do golpe.

Cid  foi arrolado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável pela acusação de tentativa de golpe, cuja denúncia é apresentada em núcleos com diferentes grupos de pessoas envolvidas com tarefas diferenciadas no andamento do suposto golpe. A fala de Cid servirá para todas as testemunhas de defesa e acusação que começam a ser ouvidas relacionadas aos núcleos 2, 3 e 4. Essa fase ocorrerá até o dia 23, por videoconferência.

Único delator nas investigações que envolvem agora três Ações Penais, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens no governo do presidente Jair Bolsonaro, confirmou que Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais de Bolsonaro e réu no processo, levou um jurista para duas reuniões com o ex-presidente para apresentação da minuta de decreto do golpe.

Cid disse que durante a reunião, Bolsonaro leu o documento e pediu alterações.

De acordo com o delator, o documento previa a prisão de ministros do Supremo, entre os quais, Alexandre de Moraes, e do então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), mas foi alterado para prever somente a prisão de Moraes.

“O documento era composto de duas partes. A primeira parte eram os considerandos. Eram possíveis interferências que o STF e o TSE fizeram no processo eleitoral. A segunda, a prisão de autoridades e a decretação de eleições”, disse Mauro Cid.

O ministro Alexandre de Moraes proibiu fotos, gravações de áudio e vídeo, nem transmissão ao vivo nos depoimentos das testemunhas, permitindo apenas aos advogados dos acusados e a imprensa o acompanhamento dos depoimentos.

Na terça-feira,15, começam a depor as testemunhas indicadas pelas defesas dos réus que fazem parte dos três núcleos. O STF ouviu no mês passado testemunhas do Núcleo 1, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados.

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