Governo conclui plano para socorrer setores atingidos por tarifa

Ministro da Fazenda diz que prioridade do governo é negociar com os EUA, mas revela que a Casa Branca interdita qualquer debate e articulação.
Fernando Haddad não revelou detalhes do plano. Foto: Rovena Rosa.

Áreas técnicas dos Ministérios da Fazenda, Industria e Comercio e Relações Exteriores concluíram um plano de contingencia para socorrer setores da economia que poderão ser afetados por tarifa de 50% pelos Estados Unidos, caso o percentual passe a vigorar a partir de 1º de agosto, conforme anunciado pelo presidente norte-americano Donald Trump.

Foi o que disse o ministro Fernando Haddad (Fazenda) na quarta-feira, 23, a Agência Brasil. As medidas não foram detalhadas por ele, que somente nesta quinta-feira, 24, irá conhecer em detalhes o plano, que será levado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana. Inicialmente, a previsão era que o presidente dele tivesse conhecimento no retorno do Chile.

Elaborado com base nos parâmetros definidos por Haddad e pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o plano de contingência ainda precisa ser avaliado pelos ministro da Casa Civil, Rui Costa, antes de ser enviado a Lula, que tomará a decisão final.

Debate interditado

O ministro Haddad disse que a prioridade do governo continua sendo negociar com os Estados Unidos, mas admitiu que a Casa Branca está interditando qualquer debate, uma vez que até agora não respondeu a qualquer gestão feita pelo governo brasileiro com autoridades americanas.

“Nós [do Ministério da Fazenda] estamos falando com a equipe técnica da Secretaria do Tesouro [estadunidense], mas não com o secretário Scott Bessent”, disse Haddad. Alckmin tem conseguido falar com alguns secretários americanos, mas não tem recebido respostas da Casa Branca.

“A informação que chega é que o Brasil tem um ponto, o Brasil tem razão em querer sentar à mesa, mas que o tema está muito concentrado na assessoria da Casa Branca, daí a dificuldade de entender melhor qual vai ser o movimento [dos Estados Unidos]”, justificou Haddad.

Mesmo com dificuldades, o ministro afirma ver espaço para negociações com o país, baseados nas experiências de acordos recentemente fechados com o Vietnã, o Japão, a Indonésia e as Filipinas. Haddad também citou avanços nas negociações entre os Estados Unidos e a União Europeia como fator que pode estimular o Brasil.

“Houve boas surpresas em relação a outros países nos últimos dias. Podemos chegar à data de 1º de agosto com algum aceno e alguma possibilidade de acordo, mas para haver acordo precisa haver duas partes sentadas à mesa para chegar a uma conclusão. Não dá para antecipar um movimento que não depende só de nós, mas o Brasil nunca saiu da mesa de negociação”, acrescentou Haddad.

Com informações da Agência Brasil.