Moraes procurou Galípolo no BC para pedir pelo Master, diz colunista de O Globo

Viviane Barci, mulher de Moraes, firmou contrato de R$ 129 milhões com o banco Master em janeiro de 2024 para atuar junto ao BC e vários órgãos públicos federais.
Viviane Barci de Moraes e Alexandre de Moraes. Foto: Distribuição.

O ministro Alexandre de Moraes, segundo a colunista de O Globo, jornalista Malu Gaspar, teria procurado o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo para pedir pelo banco Master junto à instituição. A informação está na coluna publicada nesta segunda-feira, 22.

Conforme a própria jornalista já publicou, a mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, por meio de seu escritório em Brasília, no qual atuam cerca de dez advogados, incluindo dois filhos do casal, firmou contrato de R$ 129 milhões com o banco Master em janeiro de 2024, a vigorar por dois anos, com pagamentos mensais superiores a R$ 3 milhões.

Trechos do contrato foram publicados pela jornalista. Ele não define uma atuação específica, mas é uma espécie de cirurgião geral: informa que a banca da família Moraes atuará junto ao BC, Receita Federal, Congresso Nacional, Procuradoria Nacional da Fazenda, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e Executivo Federal. De forma estratégica, consultiva e contenciosa.

A colunista revela que seis diferentes fontes revelaram sobre os contatos de Moraes com Galípolo, um deles presencialmente. O motivo era “fazer pressão” a favor do Master.

“Na versão desses integrantes, Moraes fez pelo menos três ligações para saber do andamento da operação de venda para o BRB e, em julho deste ano, pediu que o presidente do BC fosse ao seu encontro. Nessa conversa, de acordo com o que o próprio ministro contou a um interlocutor, ele disse que gostava de Vorcaro e, repetindo um argumento que o banqueiro usava muito, afirmou que o Master era combatido por estar tomando espaço dos grandes bancos. Pediu, ainda, que o BC aprovasse o negócio com o BRB, que tinha sido anunciado em março, mas estava pendente de autorização da autarquia,” relata Malu na coluna.

Segundo Malu, ao menos três dos contatos feitos por Moraes foram por telefone, “mas pelo menos uma vez Moraes se encontrou presencialmente com Galípolo para conversar sobre os problemas do banco de Daniel Vorcaro. “

“Os relatos sobre as conversas foram feitos à equipe do blog por seis fontes diferentes nas últimas três semanas. Uma delas ouviu do próprio ministro sobre o encontro com Galípolo, e as outras cinco souberam dos contatos por integrantes do BC,” diz o texto da colunista.

Por ocasião do pedido para que a compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília) fosse efetivada, havia um racha entre diretores do BC sobre decretar ou não intervenção no Master.

Galípolo teria respondido a Moraes, segundo a apuração da coluna de Malu Gaspar, “que os técnicos do BC tinham descoberto as fraudes no repasse de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master para o BRB. Diante da informação, segundo os relatos, o ministro teria reconhecido que, se a fraude ficasse comprovada, o negócio não teria mesmo como ser aprovado.”

Leia a íntegra da coluna aqui.