Sem qualquer critica ao regime teocrático do Líder Supremo do Irã Ali Khamenei, 86 anos, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, por meio do Itamaraty, divulgou após duas semanas de protestos nas cidades iranianas e repressão brutal com mais de 600 mortes – que podem ser muito mais – uma nota em cinco parágrafos lamentando as mortes no país.
A nota diz ainda que “cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país,” e incentiva “todos os atores a se engajarem em um diálogo pacifico” com o Irã. É sem dúvida uma alfinetada no governo Donald Trump, que ja se manifestou com intenção de intervir de alguma forma na situação, fora de controle no Ira.
O governo iraniano promete, inclusive, enforcamento em praça pública na quarta-feira, 14, de jovens que ousaram desafiar o regime.
Não há na nota do governo Lula menção a qualquer iniciativa institucional interna ou em organismos internacionais para tratar da situação no Irã.
Leia a nota, abaixo:
Manifestações no Irã
O governo brasileiro acompanha, com preocupação, a evolução das manifestações que ocorrem, desde o dia 28 de dezembro, em diversas localidades do Irã.
O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas.
Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo.
O Itamaraty, por meio da Embaixada do Brasil em Teerã, se mantém atento às necessidades da comunidade brasileira no Irã.
Não há registros, até o momento, de nacionais mortos ou feridos.
A nota é bem diferente da emitida em junho passado e demonstra o tratamento favorável ao regime dos aiatolás por parte do governo brasileiro. Em junho, quanto os Estados Unidos decidiram atacar instalações nucleares do Irã, em razão do conflito Israel-Gaza, o governo “condenou com veemência” a ação. Agora, diante da repressão brutal contra o próprio povo iraniano pelo regime de quem é próximo, o governo diz na nota que “acompanha com preocupação” a situação.
Atualização 23h12