Expoentes do centrão, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) tem um master problema Supremo para administrar na retomada dos trabalhos legislativos na segunda-feira, 2.
Será a pressão de um barulhento grupo, ainda que reduzido, de parlamentares da oposição pela instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Master, suas cada fez mais fortes conexões com o Supremo e tudo mais. Todo mundo sabe como começa ninguém sabe como termina.

A dupla que comanda o legislativo bicameral brasileiro quer distância deste master problema Supremo. Estão pisando em ovos. Motta, que no ano passado estreou na presidência da Câmara enfrentando um misto de desconfiança e tibieza, com altos e baixos ao sabor da campanha governista e petista “Congresso – Inimigo do Povo,” sinalizou na quarta-feira, 28, aos líderes partidários que não há condição de instalar uma CPI.
Alegou haver outros requerimentos e outras CPIs em andamento na frente da “fila.” Há precedentes de não obediência a essa regra. É ano eleitoral. Motta ficará sob a proteção de Lula, cujo governo surge enredado com ganâncias de ministros e traficâncias master, podendo piorar muito a situação?

Alcolumbre recebe mais pressão porque existe uma saída regimental que é abrir uma CPMI, mais fácil de emplacar, composta por senadores e deputados, mas o presidente do Senado e do Congresso já acena com dificuldades, relatam comentaristas políticos, diz que na volta do recesso decidirá sobre o assunto, mas o histórico do senador do Amapá até aqui é: conseguiu se desvencilhar no primeiro ano de exercício da segunda presidência do Senado de todos os pedidos de impeachment contra ministros da Suprema Corte; do apoio para barrar decisões monocráticas; para investigar ministros da Suprema Corte que abusaram do poder; para alterar a forma como são escolhidos os ministros etc. etc.
Lembrei da “consistência gelatinosa” do Álcool Umbre, uma sátira do humorista de direita Paulo Souza no Instagram, o que permitiu humilhação extrema do Senado Federal, a única instituição com a competência constitucional para enquadrar ministros que claramente abusam do poder, legislam no lugar do parlamento e utilizam de criativas decisões jurídicas para adaptar pretensas decisões em defesa da democracia.
No vídeo, Souza diz: “Com sua consistência gelatinosa o Álcool Umbre desliza como nenhum outro. Se você aí meter a mão na sujeira, o Álcool Umbre te protege, você sabe que manusear dinheiro pode ser pouco higiênico já que as notas tem muito micróbio; por isso, se vai mexer com dinheiro que é sujo, né, proteja-se com Álcool Umbre e, claro, o Álcool Umbre te mantem imune, protegido contra qualquer indisposição a ambientas potencialmente nocivos. Álcool Umbre, o preferido da maioria. O ideal para você que não quer sujar as mãos.”
Então, vamos assistir em ano eleitoral a turma envolvida n0 Master sujo de bilhões com o problema puxado para o gabinete do enrascado Toffoli e enrascado Supremo continuar protegida, graças às qualidades do Alcolumbre?
Veremos os deputados e senadores que subscreveram em número que ultrapassa a instalação da CPMI ficarem no vácuo, ser arrastados pela desmoralização que a presidência da Casa insiste em colocar o Senado Federal?
Ou eles conseguirão, com a força da opinião pública, passar a limpo o que tudo indica ser um escândalo de proporções equivalentes às investigações da Lava Jato, indesejável na luz do sol por forças poderosas que apostam na escuridão?
No Congresso, há dois requerimentos de CPMIs. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), com receio de não conseguir adesão a uma CPI, partiu para a investigação conjunta, e afirma já ter as assinaturas suficientes entre deputados e senadores.
As deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) fizeram outro pedido. Na Câmara, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) apresentou pedido para criação da CPI do Master, que já conta com 193 assinaturas, mais que as 171 necessários. No Senado, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) diz ter mais que as 27 assinaturas necessárias para protocolar o pedido de instalação.
Será que diante do apelo nacional por uma investigação dissociada de uma supervisão contaminada pela relatoria de um ministro do STF, com outro ministro considerado algoz da oposição, um dos legisladores da Corte e que frequenta jantares e rodinhas em mansão de Vorcaro para fumar charuto, sem explicar R$ 129 milhões do contrato advocatício de sua mulher com o banqueiro, a dupla do centrão vai optar de novo pela prevaricação?
Na vida pública, colocar os interesses pessoais e eleitorais em primeiro lugar tem afastado continuamente o Brasil de um lugar que honre a democracia, de verdade. Uma fagulha de mudança tão necessária no campo da moralidade entre os agentes públicos exige do Congresso Nacional um recomeço altivo do trabalho parlamentar.
Pela própria sobrevivência do que deve ser o mais importante poder da República.