Criada pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a PrevisIA, uma plataforma de inteligência artificial que tem feito nos últimos cinco anos previsão de desmatamento na Amazônia, aponta que 5.501 km² estão sob risco de desmatamento na Amazônia.
O objetivo da plataforma é auxiliar ações de proteção da floresta, dizem os pesquisadores. A inteligência artificial tem indicado os territórios do bioma com maior risco de perda de floresta, com assertividade média de 68% a até 4 km das áreas apontadas.
Entre agosto de 2024 e julho de 2025 foram desmatados 5.112 km², o que representa uma queda de 18% em relação ao período anterior, segundo o Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A PrevisIA, além de indicar as áreas, também as classifica conforme cinco categorias de risco: muito alto, alto, moderado, baixo e muito baixo. “O objetivo dessa classificação é fornecer informações detalhadas do risco de desmatamento para governos, setor privado e sociedade em geral, para apoiar ações preventivas. No final do ano, queremos que a PrevisIA erre a previsão. Ou seja: que essas florestas e seus serviços ambientais sejam protegidos e as emissões de carbono sejam evitadas”, diz o coordenador do programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, Carlos Souza Jr.
O objetivo da plataforma é auxiliar ações de proteção da floresta. Ou seja: evitar a derrubada estimada. “A assertividade da PrevisIA reduziu em 2025 com a queda do desmatamento, o que foi muito positivo para o Brasil, país anfitrião da COP30. Além disso, se tivermos acesso aos dados sobre as áreas onde ocorreram as operações de combate ao desmatamento em 2025, poderemos estimar o quanto de floresta foi efetivamente poupada, fornecendo evidências irrefutáveis de que as intervenções conseguiram evitar a destruição”, afirma Carlos Souza Jr., coordenador do programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, instituto de pesquisa que criou a ferramenta.

Por categoria, para o ano de 2026, a PrevisIA indicou que 1.686 km² de floresta estão sob risco muito alto ou alto de desmatamento, o que representa 31% do total. Outros 1.056 km² (20%) estão sob ameaça moderada e 2.759 km² sob risco baixo ou muito baixo (50%).
A ferramenta produz estimativas se orientando pelo chamado “calendário do desmatamento”, que vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte, assim como os dados oficiais do governo federal.
A PrevisIA também indica a área sob risco de desmatamento em cada uma das nove unidades federativas da Amazônia, dividida por classe de risco. Lideram o ranking para 2026 o Pará (36%), Amazonas (18%) e Mato Grosso (18%). Esses três Estados concentram 72% de todo o território ameaçado na Amazônia, somando 4.049 km² sob risco.
Rondônia aparece em quinto lugar, com 414 km², sendo o Estado com apenas 29 km² classificados como risco muito alto de desmatamento.
“A análise estadual é importantíssima para que os órgãos competentes possam atuar em defesa da Amazônia. No Pará, por exemplo, o Imazon possui parceria com o Ministério Público Estadual (MPPA) e com a Defensoria Pública do Estado (DPE-PA) para usar a PrevisIA em ações de prevenção ao desmatamento em solo paraense”, explica Alexandra Alves, pesquisadora do Imazon.
A fermenta de inteligência artificial desenvolvida pelo Imazon também verifica como as estradas estão avançando na Amazônia, já que costumam abrir caminho para novas derrubadas.
Com informações do Imazon.