Por meio de uma nota oficial assinada pelos ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), Sílvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas), o governo federal anunciou a suspensão, na sexta-feira, 6, do processo de contratação de empresa para realizar a dragagem do Rio Tapajós, no Pará, com vistas à implantação de uma hidrovia. 

Os ministros informam na nota que a suspensão das obras de dragagem é um gesto de negociação, mas o empreendimento não têm relação direta com a concessão da hidrovia.
As manifestações contra o projeto ocorrem desde o dia 22 de janeiro. Povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações sociais que atuam na região se mobilizam em protestos com atos e ocupações em Santarém, no oeste paraense.
A principal reivindicação é a revogação do Decreto 12.600, editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2025 , que prevê a concessão da hidrovia do Rio Tapajós à iniciativa privada.
A hidrovia é um importante modal logístico, aquaviário, para escoar produtos do agronegócio. No entanto, enfrenta resistência das comunidades instaladas nas áreas ribeirinhas. Estima-se que cerca de 7 mil indígenas, de 14 etnias diferentes, vivam no Baixo Tapajós, de acordo com dados do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA), que representa os povos da região.
A nota, publicada no portal do Ministério dos Povos Indígenas, diz: “É importante mencionar que as obras de dragagem anunciadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos constituem ação de rotina, feitas igualmente em anos anteriores, e respondem à necessidade de garantir o tráfego fluviário na Hidrovia do Tapajós diante dos períodos de baixa das águas. Ou seja, essas obras não têm relação com os estudos de concessão da hidrovia, previstos no Decreto 12.600.”
Por causa das manifestações, a nota conjunta dos ministros, diz que num “gesto de negociação com os povos indígenas e disposição do governo federal em soluções negociadas,” são tomadas as seguintes decisões:
I – suspender o Pregão Eletrônico nº 90515/2025, cujo objeto é a contratação de empresa especializada para a execução do Plano Anual de Dragagem de Manutenção Aquaviária (PADMA) na Hidrovia do Rio Tapajós, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT);
II – instituir um Grupo de Trabalho Interministerial, com a participação de órgãos e entidades da administração pública federal, bem como de representantes indicados pelos povos indígenas da região do Rio Tapajós com a finalidade de discutir, sistematizar e orientar os processos de consulta livre, prévia e informada;
III – apresentar, em diálogo com os povos indígenas, o cronograma dos processos de consulta livre, prévia e informada referente à Concessão da Hidrovia do Tapajós.
A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) também é contra a hidrovia. Em nota, declarou apoio às mobilizações indígenas e criticou o projeto de concessão da hidrovia à iniciativa privada, que para a entidade pode causar impactos graves sobre territórios tradicionais.