O Brasil permanece na 107ª posição entre 182 países no Índice de Percepção de Corrupção (IPC) divulgado nesta terça-feira, 10, pela Transparência Internacional. O relatório mostra que o país não melhorou, obtém o segundo pior desempenho desde que a serie começou a ser registrada, e na pontuação de 0 (altamente corrupto) a 100 (altamente íntegro) obteve 35 pontos. É apenas um ponto a mais do que em 2024, o que indica estagnação.
O IPC mede índices de corrupção no setor público, e considera no estudo o uso de 13 diferentes fontes de informação. Em 2025, segundo o documento, a média global do IPC caiu pela primeira vez em mais de uma década, alcançando apenas 42 pontos. O Brasil permanece abaixo dessa média. Em países com nível de renda semelhante, o país tem desempenho inferior.
“A vasta maioria dos países não conseguiram controlar o avanço da corrupção: de um total de 180 avaliações, 122 alcançaram menos de 50 pontos no índice,” registra o relatório do IPC.
O resultado do Brasil mantém o país em um patamar historicamente baixo, reforçando uma trajetória marcada por fragilidade institucional, baixa efetividade dos mecanismos de integridade e dificuldades persistentes de controle da corrupção no setor público, diz o relatório do IPC.
“O IPC 2025 posiciona o Brasil abaixo da média das Américas (42 pontos) e da média dos 182 países (42 pontos). Os melhores classificados em 2025 foram Dinamarca (com 89 pontos), Finlândia (88 pontos) e Cingapura (84 pontos). Os piores foram Somália e Sudão do Sul (ambos com apenas 9 pontos) e Venezuela (com 10 pontos),” relata o documento.
O IPC de 2025 também mostra que o número de países que obtiveram pontuação acima de 80 diminuiu, caindo de 12 para cinco em apenas uma década. Os pesquisadores destacam ter verificado tendência preocupante de países democráticos com aumentos na percepção da corrupção – desde Estados Unidos (64), Canadá (75) e Nova Zelândia (81) até diversos países europeus, como Reino Unido (70), França (66) e Suécia (80).
Retrospectiva de crimes
Além do IPC, a Transparência Internacional produz o relatório Retrospectiva 2025. São destacados a crescente infiltração do crime organizado no Estado brasileiro, o aliciamento de autoridades públicas, revelado por uma sucessão de operações policiais de grande impacto.
A TI lembra que do início ao fim 2025 foi marcado por escândalos de macrocorrupção, alguns em escala inédita. “O ano começou com os desdobramentos das operações Sisamnes — que apurou comércio de sentenças no STJ por suspeitos internos, advogados e lobistas — e Overclean, que investigou desvios de emendas, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro por meio de contratos públicos envolvendo lideranças partidárias e operando em pelo menos cinco estados. Deflagradas no final de 2024, ambas seguiram produzindo fases e revelações relevantes ao longo de 2025,” diz.
A Operação Sem Desconto aparece em abril, após uma série de reportagens do portal Metrópoles revelar o esquema de apropriação criminosa da aposentadoria de beneficiários do INSS, revelando falhas graves de governança no INSS.
Em agosto, a Operação Carbono Oculto, liderada pela Receita Federal e pelo GAECO-SP, revelou um sistema estruturado de sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro por facções criminosas, infiltrado em fintechs, fundos de investimento, postos e distribuidoras de combustíveis. Em novembro, a Operação Compliance Zero (caso Master) escancarou a maior fraude bancária já registrada no país.
A Transparência Brasil cita a ligação de escândalos com ministros do STF, envolvimento da advocacia e fundos do sistema financeiro em investigações que vem sendo realizadas.