Governo revoga decreto de hidrovias na Amazônia após protestos de indígenas por 33 dias

Os indígenas receberam a noticia da revogação do decreto 12.600 quando faziam um ritual sagrado, em frente à sede da Cargill em Santarém.
Povos do Baixo Tapajós colocaram faixa em balsa da Cargill. Foto: Divulgação/Movimento Tapajós Vivo.
Após protestos de 33 dias de 14 povos do Baixo e Médio Tapajós, no Pará, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu revogar o decreto 12.600, de agosto do ano passado, que incluia no Plano Nacional de Desestatização (PND) os rios Madeira (Rondônia), Tapajós (Pará) e Tocantins (Tocantins). O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 23, após reunião em Brasilia ocorrida com representantes dos povos da região do Baixo Tapajós, e do governo federal.
No final de semana, os indígenas promoveram ação violenta  no terminal portuário da Cargill em Santarém e no escritório da empresa em São Paulo, segundo veiculado pela empresa. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) divulgou nota na qual repudiou os atos dizendo que o uso da violência extrapola qualquer forma legítima de manifestação.

Os indígenas receberam a noticia da revogação do decreto 12.600 quando faziam um ritual sagrado, em frente à sede da Cargill em Santarém. O grupo acampa no terminal portuário de uma das maiores empresas do agronegócio no mundo, e fazem manifestações de protesto desde o dia 22 de janeiro.

Os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas) anunciaram a revogação do decreto após reunirem-se com lideranças do movimento. Segundo eles, a decisão foi acordada também com o Ministério de Portos e Aeroportos e outras pastas do governo.

A ministra Sonia Guajajara destacou a importância da tomada de decisão pelo presidente da República, mesmo estando em viagem internacional.