Biólogo famoso faz expedição na BR-319, aponta descaso e diz que Amazônia é feita também de pessoas

Richard Rasmussen liderou expedição de 1500 quilômetros na Transamazônica para dar visibilidade ao que chamou de descaso histórico. "A Amazõnia não tem só animais e árvores. É feita de pessoas também."
Biólogo Richard Rasmussen percorreu em sete dias 1.500 quilômetros. Foto: Reprodução/Rede social.

O famoso biólogo Richard Rasmussen, e o influenciador fitness Renato Cariani, chegaram a Manaus, capital do Amazonas, no sábado, 21, após expedição pela Transamazônica durante sete dias e percurso de cerca de 1.500 km.

Segundo Rasmussen declarou em várias entrevistas, a finalidade da expedição, com ampla repercussão na Internet no final de semana, foi mostrar a realidade das pessoas que vivem nas rodovias que cortam a Amazônia, como as BRs 230 (Transamazônica) e 319, esta última ligando o Amazonas a Rondônia. E, para isso, liderou grupo de influenciadores para dar visibilidade ao abandono e falta de infraestrutura na região.

“Isso não é justo. A ideia de trazer influenciadores para a expedição foi mostrar esse descaso histórico, muitas vezes justificado em nome do meio ambiente, mas esquecendo que a Amazônia não é feita só de árvores e animais – é feita de pessoas”, declarou ao portal Rios de Notícias.

O biólogo declarou que apesar da Amzonia ser considerada uma região rica, a falta de infraestrutura e de estradas dificulta o deslocamento das pessoas, tornando a região cada vez mais isolada.

Imagem da parte do meio da BR-319. Foto: Reprodução/ Instagran

Richard Rasmussen diz que o Brasil precisa construir uma política ambiental aliada ao desenvolvimento na região. “A Amazônia tem quase 30 milhões de pessoas. Conservação se faz com gente de barriga cheia”, destacou ao portal Rio de Notícias.

Recepcionado por fãs no Porto da Ceasa, em Manaus, Richard divulgou vídeo mostrando seu contentamento com a recepção. “Olha que loucura, eu venho a Manaus a minha vida inteira e nunca tive uma recepção tão calorosa assim, desse jeito na Ceasa, que coisa doida hein Manaus,” disse ele em postagem na conta do Facebook.

O biólogo teve seu carro, um UTV Turbo, com o qual enfrentou as precárias condições das estradas por um largo trecho, apreendido pela Polícia Rodoviária Federal.  Mesmo com veículos adaptados, ele e o grupo enfrentaram diversas dificuldades ao longo do trajeto.

BR-319

Com pouco mais de 800 quilômetros, a BR-319 é objeto de controvérsias e embates entre ambientalistas, justiça federal, Ministério Público e área ambiental do governo federal. Todos protelam o asfaltamento completo da rodovia, palco de diversas expedições de protesto pelo isolamento da população amazônida.

Postagem de Marina Silva em 2010, desdenhando do sofrimento do povo.

Em 2010, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva – de novo nos dias atuais – desdenhou do projeto de asfaltamento da rodovia dizendo que a estrada “não ligava lé com cré,” por isso era desnecessária.  Ela pensa assim até hoje.

Já são mais de 30 anos de descaso histórico, como pontuou Richard Rasmussen. O chamado “trecho do meio”, no Estado do Amazonas,  é o mais desafiador. São 400 km que exigem perícia intensa de caminhoneiros e carros de passeio, em uma pista de sulcos profundos, buracos e no inverno muita lama.

Na época da Covid, parlamentares da região denunciaram o descaso com a população de Manaus, por ocasião da falta de oxigênio na capital amazonense. Sem meios de percorrer a BR-319 para transporte de oxigênio, vidas deixaram de ser salvas.