Depois da execução da terceira fase da operação Compliance Zero, na quarta-feira, 4, vazamentos do celular do empresário Daniel Vorcaro, preso preventivamente e encaminhado nesta sexta-feira, 6, para o presidio federal de segurança máxima em Brasília, começaram a pipocar em veículos de imprensa do país.
A jornalista Roseann Kennedy, do jornal O Estadão, relata na coluna desta sexta-feira, 6, uma conversa de Vorcaro com sua namorada, Martha Graeff, via mensagem por aplicativo que já deu festas com 300 garotas de programa, e que isso “fazia parte do meu business,” relatou ele.
A conversa, de agosto de 2025, teve inicio com a namorada cobrando Vorcaro por seguir em uma rede social “16 putas.” “Tenho nojo do tipo de trabalho que essas mulheres fazem,” acrescentou Martha Graeff, referindo-se às garotas de programa.
O dono do Master disse então que não percebera que ainda seguia “essas 16,” informando que já chegara a seguir 100 dessas garotas. “Fazia parte do meu business. Nunca te escondi o que fiz e o por que fiz. Fiz festa com 300 desse tipo,” disse o banqueiro, no relato feito pela colunista.
A defesa de Daniel Vorcaro já solicitou que o STF investigue o vazamento de informações intimas, privadas, do conteúdo do celular do banqueiro, e “supostos diálogos com autoridades e ate com o ministro do STF Alexandre de Moraes.”
Os diálogos de Vorcaro com Moraes foram revelados pela jornalista Malu Gaspar de O Globo. Na coluna publicada na madrugada desta sexta-feira, com o titulo “Vorcaro falou a Alexandre de Moraes sobre salvar Master no dia em que foi preso em 2025,” Gaspar revela um ritmo frenético de conversa durante todo o dia 17 de novembro daquele ano, dia em que Vorcaro foi preso, à noite, tentando embarcar para o exterior.
Segundo o texto da jornalista, “dados obtidos a partir do celular do executivo, apreendido com ele no momento da prisão, mostram que Vorcaro prestava contas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o avanço das negociações para a venda do Master e sugerem que ele também falou sobre o inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília e acabou levando à sua prisão.”
Gaspar explica que tanto Vorcaro quanto Moraes escreviam as mensagens no bloco de notas, printavam e enviavam pelo aplicativo Whatsapp para que, no caso do ministro, tivesse uma visualização única. Por isso, ela relata, as respostas de Moraes não são reveladas.
O blog da Malu Gaspar teve acesso com exclusividade aos prints de nove mensagens trocadas entre os dois via WhatsApp entre as 7h19m e as 20h48m daquele dia. “Nós confirmamos que o número de celular que aparece nos prints é o do ministro,” diz texto da coluna.
Quando a jornalista de O Globo revelou o contrato de R$ 129 milhões feito entre a banca de advocacia de Viviane Barci de Moraes e o banco Master, assinado em janeiro de 2024, o ministro Alexandre de Moraes se recusou a falar sobre o documento, e a Procuradoria Geral da República não quis investigar, arquivando várias representações de parlamentares que solicitaram averiguação, já que nenhum serviço teria sido prestado a Vorcaro junto as instituições federais listadas no contrato, razão da atuação advocatícia.
O ministro negou ter atuado a favor do banco Master no Banco Central ao falar dos encontros com Gabriel Galípolo, seu presidente, sem que as contradições da agenda tivessem sido superadas. Moraes citava que tratara da Lei Magnistki, mas as datas mencionadas e descritas pela jornalista sobre encontros do Master, feita a confrontação com a suposta reunião para tratar da imposição americana da lei, divergem totalmente. Moraes simplesmente ignora detalhes dos desacertos de agenda.