Fundador e ex-presidente do conselho de administração da Reag Investimentos, João Carlos Falbo Mansur negou nesta quarta-feira, 11, na CPI do Crime Organizado, fraudes e qualquer envolvimento com facções criminosas. A Reag, liquidada pelo Banco Central este ano, foi citada na operação Carbono Oculto, da Polícia Federal e da Polícia Civil de São Paulo, que investigou lavagem de dinheiro no sistema financeiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Alvo da operação Compliance Zero, da PF, que investiga as fraudes do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro, Mansur se manteve calado durante quase toda a reunião, mas disse que a instituição financeira por ele fundada foi “penalizada por ser grande e independente”.
Segundo a operação Carbono Oculto, os fundos administrados pela Reag teriam sido usados para movimentar cerca de R$ 250 milhões para o PCC. A operação, iniciada em agosto de 2025, apurou a infiltração do crime organizado em setores da economia, como o de combustíveis e financeiro.
“Ao que atribui essa operação, então? [O senhor diz ter] um negócio em que ‘tudo está da melhor forma possível’ e de repente passa uma operação da polícia em cima da empresa,” indagou o presidente da CPI Fabiano Contarato, autor do pedido de convocação de Mansur.
Para o depoente, a operação que investigou a Reag foi um “rolo compressor”. Ele também minimizou a relação da Reag com o Banco Master.
“O Banco Master era um dos nossos clientes, como outros bancos, cerca de sete ou oito instituições financeiras […]. Até agosto, tínhamos aproximadamente 700 fundos de investimentos distribuídos em cerca de 300 grupos empresariais e famílias. Sempre fomos auditados por empresas internacionais. Eram 12 pessoas no nosso departamento de compliance. A gente é uma companhia aberta, a gente presta regularmente informações ao mercado,” disse Mansur.
Contarato disse que a operação Compliance Zero apura esquema que forjava a solidez do Master, desviava recursos do sistema financeiro e intimidava adversários. As investigações iniciadas pelo Banco Central apontaram, segundo o senador, que a Reag teria inflado ativos artificialmente, beneficiando o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro.
O reator da CPI, Alessandro Vieira (MDB-SE), complementou dizendo que a PF apontou o aliciamento de agentes públicos e políticos.
“É muito remoto que nós tenhamos algum partido relevante no Brasil que não tenha integrante de destaque envolvido nesse escândalo. Parece que estamos falando de coisas etéreas, mas não. Os aposentados que tiveram seus fundos de pensão saqueados [por meio de investimentos no Banco Master] vão ter que pagar, seguramente, para uma recomposição de caixa,” disse Alessandro Vieira.
Amparado por um habeas corpus emitido pelo ministro Flávio Dino, do STF, Mansur manteve-se a maior parte do tempo calado. Os senadores divergiram sobre eventual abuso de direito de defesa. Na avaliação de Alessandro Vieira, a decisão de Dino claramente se restringia às perguntas que o incriminassem. Ele afirmou que notificará Dino da suposta irregularidade cometida por Mansur, que se negou a responder outras perguntas.
Mais uma vez governador falta
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, não compareceu à reunião para informar sobre a atuação das facções criminosas no estado e o trabalho do governo gaúcho no combate ao crime. O convite foi proposto pelo relator (REQ 1/2025 – CPICrime). Não é o primeiro governador convidado que falta à CPI, que aprovou o convite a gestores de vários Estados. Ibaneis Rocha (DF) e Claudio Castro (RJ) estão entre eles.