Gilmar derruba quebra de sigilo de fundo que comprou resort de Toffoli

Quebra de sigilo do fundo Arleen, que comprou parte do Tayayá pertencente aos irmãos Toffoli, foi anulada.
Gilmar Mendes se manifestou também contra a votação em bloco nas CPIs. Foto: Nelson Jr.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes anulou, na manhã desta quinta-feira, 19,  a quebra de sigilo do fundo Arleen, aprovada pela CPI do Crime Organizado na sessão de quarta-feira, 18.  Esse fundo, conforme divulgou a imprensa, tinha como único cotista o fundo Leal, cujo investidor, entre 2021 e 2025, foi o cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel.

O Estadão mostrou, com documentos, que foi com esse fundo que Zettel passou a ser sócio do resort Tayayá, por meio de aportes R$ 20 milhões no empreendimento. Os familiares de Toffoli apareciam como administradores do empreendimento por meio da Maridt, da qual o próprio ministro admitiu depois também fazer parte como sócio.

Gilmar Mendes argumentou que se mostra necessária na quebra de sigilo a observância dos requisitos mínimos inerentes à fundamentação a respeito de atos que repercutem de forma direta e com tamanha gravidade sobre direitos fundamentais.

Em seu despacho, do mesmo modo que fez Flávio Dino ao anular 87 atos da CPMI do INSS,  Gilmar Mendes pretende que o STF interfira no Congresso ao oferecer o parâmetro para controle imediato da atuação das Comissões Parlamentares de Inquérito.

Ele segue na mesma linha que o colega da Corte Flávio Dino ao se manifestar contra a votação em bloco de requerimentos, uma praxe adotada em comissões paramentares de inquérito há tempos.

Em sua rede social X, o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira, assim se manifestou:

“O ministro Gilmar Mendes, usando o mesmo processo que ressuscitou para sequestrar uma relatoria e firmar um muro de proteção para o colega ministro Toffoli, agora anulou a quebra do sigilo do fundo Arleem, operado pela organização criminosa (banco Master) para fazer pagamentos a terceiros. Infelizmente, não é surpresa,” diz.

“Ainda ontem alertei no plenário do Senado para essa ação articulada por alguns ministros com o objetivo expresso de travar investigações e garantir a impunidade de poderosos. Para contemplar seus interesses não têm nenhum constrangimento em rasgar a Constituição e atropelar outro Poder da República. Reitero o alerta: o abuso constante está destruindo a credibilidade da Justiça,” alertou Vieira.