Ronaldo Caiado é escolhido pelo PSD para disputar a Presidência nas eleições

Eduardo Leite comentou em video que a decisão do partido tende a manter o ambiente em polarização radicalizada.
Ronaldo Caiado é recebido no aeroporto de Ji-Paraná. Foto: Thyago Lorentz/ALE.

O PSD, conforme havia anunciado, decidiu neste final de mes pela pré-candidatura à Presidência da República do governador de Goiás, Ronaldo Caiado.  O lançamento da pré-candidatura ocorrerá formalmente nesta segunda-feira, 30, na sede do partido em São Paulo, às 16 h. O nome de Caiado ganhou tração após a desistência do governador Ratinho Jr., do Paraná, de disputar entre os nomes do partido, que incluiu também outro governador, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, a pré-candidatura presidencial.

O governador do Paraná era considerado favorito do presidente da legenda, Gilberto Kassab, mas ele desistiu da disputa após se reunir com a  família e avaliar dificuldades políticas e pessoais, uma delas a sua sucessão no governo do Paraná. Ratinho Jr. vinha manifestando duvidas sobre a pré-candidatura, a que obteve o melhor índice de aceitação nas pesquisas de intenção de votos,  desde o final do ano passado.

A não escolha de Eduardo Leite tira do cenário eleitoral presidencial o único candidato com  trajetória de centro e experiente em cargo Executivo. Leite, desde que abandonou o PSDB e se filiou ao PSD, tem defendido equilíbrio e moderação, com argumentos a favor do diálogo e pelo fim da política de extremos. O governador defende a elaboração de um “projeto nacional sólido” por parte de um centro liberal.

“Embora a decisão desencante a mim e a tantos brasileiros pela forma como insistem fazer politica no país, eu não vou discutir a decisão. Mas isso não significa a ausência de convicção. Ao longo dos últimos dias o que vivi foi algo que me marcou profundamente, recebi apoio de lideranças políticas, de economistas que ajudaram a construir momentos importantes do Brasil e todas essas vozes apontaram a mesma direção; a de que existe sim no Brasil um desejo forte, talvez ainda muito silencioso, mas real,  por mais equilibro, por mais sensatez e respeito. O desejo por uma politica que não precise gritar para ser ouvida, que não precise dividir para existir, que não trate quem pense diferente como inimigo,” disse Eduardo Leite em vídeo publicado na rede social X.

Eduardo Leite avaliou que o partido aprofunda a polarização com a escolha por Ronaldo Caiado. “Com toda a franqueza a decisão tende a manter o ambiente com polarização radicalizada que tanto limita nosso país. Eu acredito em outro caminho, no centro liberal, democrático de verdade, não como uma posição de conveniência, mas com o compromisso com a conciliação, com o diálogo,  com as construções reais, dirigido para o futuro, e que não fique olhando para os conflitos do passado,” disse.

A favor de Ronaldo Caiado pesam a avaliação positiva de seu governo em Goiás. A AtlasIntel cravou 80%  de aprovação, a melhor do país. Sua ampla trajetória política, a experiência no Executivo e no Legislativo e a afirmação da pauta da segurança pública, que ele adotou em Goiás e tem cogitado transpor para o Brasil, e a defesa do agronegócio, são credenciais de relevo.

O conselho político instituído por Kassab considerou que seria muito difícil Ronaldo Caiado não ser o escolhido, pois ele tem insistido que seu único interesse é a presidência da República nas eleições de 2026, e chegou a trocar o União Brasil pelo PSD para se viabilizar.

Rondônia

Ronaldo Caiado esteve em Rondônia no final de maio de 2025 para participar da 12ª edição da Rondônia Rural Show Internacional, em Ji-Paraná, evento voltado para o agronegócio no Estado, que reúne expositores de países vizinhos inclusive.  Ele foi agraciado com a medalha Marechal Rondon pelo governador de Rondônia, coronel Marcos Rocha, e a Assembleia Legislativa de Rondônia concedeu o titulo de cidadão rondoniense.

Sua ligação com Rondônia passa também pela educação. A pasta da Educação de Goiás é comandada  pela pedagoga Aparecida de Fátima Gavioli desde 2019. Formada também em Direito e Letras, ela foi secretaria da Educação do segundo governo de Confúcio Moura (MDB), hoje senador, a partir de 2015.