Mais tempo para investigar o crime organizado é barrado por Alcolumbre

Presidente do Senado alegou ser ano eleitoral para impedir que a CPI do Crime Organizado seja prorrogada por 60 dias. Para o relator, Alessandro Vieira, a decisão é um desserviço ao Brasil.
Alcolumbre faz parte da tropa que impede desvendar conexões do STF com o Master. Foto: Geraldo Magela.

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)  do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), disse que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), barrou a prorrogação dos trabalhos de investigação solicitada pelo comando do colegiado e 28 membros.  Com a decisão, o relatório terá de ser fechado e votado no dia 14 de abril, próxima terça-feira.

Vieira disse que esteve em reunião com Alcolumbre e na conversa entre os dois o presidente da Casa teria lhe dito que não pretende estender nenhuma CPI em ano eleitoral.

O senador Alessandro Vieira, em declaração publicada pelo jornal Folha de São Paulo,  disse que a posição de Alcolumbre é “um grande desserviço para nação” e que a comissão tem um volume grande de documentos para analisar, sofreu impedimentos da justiça para fazer seu trabalho e precisava de mais tempo para concluir suas atividades.

O relator da CPI do Crime Organizado disse também que já foi firmado o entendimento, pelo STF, de que a criação de CPIs é um direito constitucional de minoria, mas que irá  “testar” novamente esse posicionamento diante da negativa recente de prorrogação.

Vieira  compreende que a interrupção dos trabalhos, ainda mais numa CPI complexa e que requer o exame de relatórios e documentos da Receita Federal, Banco Central e Coaf entre outras instituições, atende interesses de grupos atingidos pelas investigações.

Há um consenso entre os parlamentares que querem a investigação de que o fato do banco Master e suas conexões com políticos e ministros do STF estarem no epicentro da CPI o colegiado é o real impeditivo para que as investigações não avancem.