Substituição de delegado da PF que investigava Lulinha gera especulações em Brasília

O presidente a CPMI do INSS, senador Carlos Viana (PSD-MG), pediu informações ao diretor-geral Andrei Passos, sobre a retirada do delegado Guilherme Figueiredo dos inquéritos que envolvem o INSS.
Carlos Viana enviou seis perguntas para a direção-geral da PF. Foto: Carlos Moura.

A Polícia Federal substituiu o delegado responsável por pedir investigação contra Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Lula da Silva, troca que motivou uma reunião do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator das fraudes no INSS, com a equipe da PF nesta sexta-feira, 15. O ministro, segundo o jornal O Estadão, pediu esclarecimentos sobre a substituição.

O delegado Guilherme Figueiredo Silva chefiava a Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da Polícia Federal e foi o responsável por coordenar e conduzir as investigações sobre o INSS depois que o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão do lobista Antonio Camilo Antunes, o Careca do INSS, suspeito de liderar o esquema de desvios de aposentadorias, foi solicitada por ele.

O Estadão diz que pediu esclarecimentos à direção da PF se a troca teria ocorrido a pedido do próprio delegado ou se foi por uma definição da corporação, mas não obteve os escurecimentos.

A troca está gerando especulações em Brasília. O presidente da então CPMI do INSS, senador Carlos Viana (PSD-MG), pediu informações ao diretor-geral Andrei Passos, sobre a retirada do delegado Guilherme Figueiredo dos inquéritos que envolvem o INSS.

O delegado deixou o caso no início de maio, e os inquéritos foram redistribuídos para outros delegados. A rodada de depoimentos dos investigados realizada nas últimas semanas não contou com sua presença.

A Polícia Federal, por meio da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários, solicitou a quebra do sigilo bancário de Lulinha, que foi autorizada por André Mendonça, e produziu relatórios sobre movimentações financeiras suspeitas da amiga Roberta Luchsinger, empresária e herdeira de banco, sobre a qual há depoimento de ex-funcionário de Camilo Antunes de que repassava dinheiro a Lulinha. Ambos negam irregularidades, e a defesa de Lulinha critica a investigação por não ver motivo para envolver o filho do presidente no caso.

A PF descobriu que o lobista fechou um contrato com a empresária Roberta Luchsinger, e pagou R$ 1,5 milhão a ela. A instituição encontrou várias menções a Lulinha, durante essa apuração, e acionou o ministro André Mendonça, informando sobre os achados, um deles a suspeita de possível sociedade de Lulinha com Camilo Antunes.

O filho do presidente, descobriu-se depois, teria viajado a Portugal com despesas pagas por Camilo Antunes, com o objetivo de prospectar negócio de cannabis medicinal. A defesa admitiu a viagem e disse que esse negócio não foi adiante.

O senador Carlos Viana enviou seis perguntas para a PF responder:

  1. Qual foi a motivação oficial da substituição do delegado responsável pelo referido inquérito;
  2. Em qual data foi formalizada a substituição e quem determinou administrativamente a mudança;
  3. Qual o atual estágio das investigações;
  4. Se houve preservação integral das linhas investigativas, diligências, provas já produzidas e equipes envolvidas;
  5. Se houve qualquer comunicação prévia ao Supremo Tribunal Federal acerca da substituição; e
  6. Se a alteração possui caráter administrativo ordinário ou decorre de fato superveniente relacionado ao andamento da investigação.

“O Brasil não pode aceitar dúvidas, silêncio ou coincidências em uma investigação que revelou uma das maiores fraudes morais já praticadas contra aposentados e pensionistas,” disse o senador em sua conta na rede social X.

O senador Sérgio Moro (PL-PR) também usou o X para cobrar do governo Lula o motivo da substituição “do delegado que investigava o roubo do INSS e as suspeitas sobre Lulinha.”