CNI: PEC que reduz jornada de trabalho é “inadequada e inoportuna”

Ricardo Alban disse no Senado que o assunto precisava ser analisado com equilíbrio, responsabilidade e base técnica, e não sob pressão de um ano eleitoral.
Representantes do setor produtivo reunidos com Alcolumbre no dia 26. Foto: Pedro Gontijo.

O fim da escala de trabalho 6×1 aprovado pela Cãmara dos Deputados na noite de quarta-feira, 27, é considerado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) “inadequado e inoportuno.” A entidade vinha defendendo que o tema da redução da jornada com manutenção salarial fosse debatido e colocado em votação após as eleições, o que fez mais uma vez no Senado Federal na terça-feira, 26, durante encontro do presidente Ricardo Alban com o senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da Casa.

Na ocasião, Alban disse que a intenção da visita não foi contestar a  proposta, mas buscar uma solução que atenda a todos os envolvidos. “Não se pode discutir um assunto desses, com tamanha seriedade e importância, de uma forma açodada. Esperamos e temos fé que o Senado vai entender isso,” disse Alban.

Presente também no encontro, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, criticou “políticos que usam das pessoas e dos interesses do país para bandeiras políticas e para efeito eleitoral”.

“O que se pede? Vamos sair desse período eleitoral, vamos discutir isso com a profundidade que seja verdadeira e necessária,” propôs Skarf. Segundo ele, cerca de 2 mil atividades serão impactadas, e disse que a jornada de trabalho é uma negociação entre trabalhadores e empregadores.

Alban disse a Alcolumbre que o assunto precisava ser analisado com equilíbrio, responsabilidade e base técnica, considerando os efeitos sobre trabalhadores, empresas, consumidores e a economia brasileira, e não sob pressão de um ano eleitoral.

A CNI, relatou, entende que uma mudança da magnitude da mudança da jornada 6×1 exige debate “amplo, técnico e responsável, com participação de trabalhadores, empregadores e poder público,” porque  alterações como essa geram impactos relevantes sobre emprego, custos e a economia de maneira geral.

Sem um prazo para implementação, ou seja, uma transição adequada e sem ganho equivalente de produtividade, a CNI observou que a medida pode elevar custos e pressionar preços de produtos e serviços. Uma projeção recente da CNI aponta impactos entre 6% e 9% em diferentes segmentos da economia, com reflexos sobre alimentos, serviços e vestuário, entre outros setores, segundo nota publicada pela entidade.

A CNI disse também que qualquer mudança precisa ser acompanhada de uma agenda de aumento de produtividade, com investimentos em tecnologia, qualificação profissional, inovação e modernização das relações de trabalho.