Levantamento da CNI aponta que o crime custa R$ 107 bi à industria brasileira

O furto ou roubo de cargas corresponde a 32% de todos os crimes que mais afetam a indústria nos 2 últimos anos.
Caminhões com transporte clandestino de minério. Foto: PF.

Um levantamento realizado pela Superintendência de Política Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 1398 empresas de 32 setores industriais de pequeno, médio e grande porte do país aponta que o crime custa pelo menos R$ 107 bilhões por ano para a indústria.

Entre os prejuízos estão os causados diretamente pelo mercado ilícito e gastos associados à prevenção e segurança. O levantamento foi feito entre 3 e 12 de novembro do ano passado.

“São recursos que poderiam ser revertidos em novos investimentos, emprego e melhoria na produção”, afirma o superintendente de política industrial da CNI, Fabrício Silveira, responsável pela sondagem, ao jornal Folha de São Paulo.

Dos R$ 107 bilhões, só em gastos com prevenção contra crimes são R$ 68,8 bilhões. São gastos por exemplo com vigilância patrimonial, monitoramento eletrônico, segurança cibernética e proteção pessoal.

Os outros R$ 39,1 bilhões são resultado direto de atos criminosos na receita líquida das empresas. A superintendência computa aqui desde roubo de carga e furto de matéria-prima até piratariacontrabando e “gatos” de energia elétrica.

Segundo o levantamento, as perdas pelo crime prejudicam mais de um terço das empresas industriais do país, e os efeitos são mais acentuados nas de pequeno e médio porte. Em números, o impacto negativo médio nas companhias menores é de 0,6% da receita líquida anual. Em médias e grandes, é de 0,8% e 0,4%, respectivamente.

A CNI considera a análise segmentada especialmente relevante por considerar o papel que desempenham na economia.

A sondagem não permite mensaurar que parte dos prejuízos possa estar associada ao crime organizado. Setores de combustíveis e bebidas já registraram casos com indícios consistentes de participação de organizações criminosas, diz Fabrício Silveira, mas no geral as empresas consultadas não identificam quem está por trás dos crimes, mas apenas os prejuízos sofridos.

“Elas conseguem mensurar as perdas, mas não necessariamente apontar quem está por trás delas”, diz.

Os tipos de crimes que mais afetaram a indústria nos últimos dois anos são: roubo ou furto de cargas (32%); não conformidade de produtos com regulamentações técnicas, venda ou fabricação de produto irregular (29%); roubo ou furto de matérias-primas, equipamentos e produtos (21%); descaminho, subfaturamento ou falsa declaração de origem (17%); contrafação, pirataria ou falsificação (15%); contrabando (11%); fraude ou furto  de energia eletrica (4%); fraude ou furto de água (1%) e outro (15%).