Em Rondônia, 43,9% dos empresários discordam do fim da escala 6×1

A maior parte dos entrevistados é micro empreendedor, dono de pequeno negócio. Os que concordam totalmente com o fim da escala de seis dias de trabalho por um de folga são apenas 8,9%.
Os que são MEI correspondem a 49% dos entrevistados. Foto: Reprodução/Internet.

Pesquisa realizada entre os dias 18 e 28 de maio com 800 pequenos e micros empresários, gestores e responsáveis por empresas no Estado de Rondônia revela que 43,9% discordam totalmente da proposta de acabar com a escala de trabalho 6X1. Os que concordam totalmente são 8,9%. Os que afirmam discordar em parte são 14,3%, e concordam em parte outros 14,9%. Os que não souberam ou não responderam somam 18%.

Quando questionados sobre os possíveis impactos da mudança, 45,2% dos empresários afirmaram que a alteração pode impactar negativamente seus negócios. Para 35,9%, a medida não causaria impacto. Os que acreditam que o impacto seria positivo somam 11,1%, enquanto 7,8% não souberam ou não responderam.

O levantamento, feito pela Perfil Pesquisas, também que o tema ainda não é plenamente conhecido por todos os empresários. A iniciativa foi conduzida pelo Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias de Rondônia (Simpi), Federação das Associações Comerciais de Rondônia (Facer), Federação do Comércio do Estado de Rondônia (Fecomércio) e Banco do Povo, após entidades do setor produtivo receberem dados de pesquisa nacional do Sebrae acerca do fim da escala 6×1.

Os organizadores da pesquisa verificaram que os números apresentados nacionalmente causaram estranhamento, por não refletirem a percepção observada entre empresários locais. Diante disso, as entidades decidiram ouvir diretamente o setor produtivo de Rondônia para compreender como os empresários avaliam a possível mudança na jornada de trabalho.

A pesquisa confirmou a percepção. Parte significativa dos empresários do estado vê com preocupação a proposta de proibição da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias e folga um.

A pesquisa tem margem de erro de 3,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. Ela foi realizada por meio de ligações telefônicas e mensagens via Whatsapp.

Conforme os dados, 57,2% dos entrevistados disseram estar sabendo da proposta de alteração da escala de trabalho, enquanto 38,1% afirmaram não ter conhecimento sobre o assunto. Outros 4,7% não souberam ou não responderam.

Entre os que acreditam em impacto negativo decorrente da medida, a principal resposta sobre como tentariam reduzir os efeitos da mudança foi a incerteza: 41,6% disseram não saber o que fariam ou não responderam. Outros 17,4% afirmaram que poderiam aumentar o valor de produtos e serviços; 14,7% falam em reorganizar turnos e processos; 9,4% citam a contratação de MEI; 6,2% apontam a redução do horário de funcionamento; 5,6% mencionam aumentar o número de funcionários; e 5,1% falam em reduzir o quadro de colaboradores.

O perfil dos entrevistados reforça a presença de pequenos negócios na amostra. Segundo a pesquisa, 49% são MEIs, 33% microempresas e 12% empresas de pequeno porte. Apenas 4% se declararam de médio ou grande porte. Em relação ao faturamento, 40% informaram faturar até R$ 81 mil por ano e 32% acima de R$ 81 mil até R$ 360 mil por ano. Os setores mais representados foram serviços, com 30%, e comércio, com 29%.

Participaram ainda empresários dos segmentos de alimentação, bares e restaurantes, agropecuária, construção civil, indústria e outros ramos. Para as entidades responsáveis pelo levantamento, os dados indicam que o debate sobre o fim da escala 6×1 precisa considerar a realidade de quem emprega, administra equipes e mantém empresas em funcionamento, especialmente nos pequenos negócios.

Ao Sebrae Nacional o Simpi informou que encaminhou pedido de esclarecimentos sobre a pesquisa nacional, por entender que os dados levantados em Rondônia, assim como em outros estados onde há pesquisas regionais, apontam uma percepção diferente entre os empresários.

A entidade defende que qualquer mudança envolvendo a jornada de trabalho seja discutida com responsabilidade, levando em conta os impactos econômicos, operacionais e sociais para empresas e trabalhadores. Segundo o setor produtivo, a proposta deve ser debatida com profundidade, já que pode afetar diretamente custos, escalas de atendimento, funcionamento aos finais de semana, contratação de funcionários, preços ao consumidor e sustentabilidade dos pequenos negócios.