Físico defende suspensão de licenciamento para exploração de terras raras em MG

Em debate na Cãmara, Daniel Tygel diz que região do Sul de Minas é ameaçada por duas empresas australianas, que indicam adotar modelo de exploraçao "agressivo" para retirada de carbonato de terras raras.
Daniel Tygel (d) defende alteração em projeto que está no Senado para fortalecer a soberania nacional. Foto: Kayo Magalhaes.

O fisico Daniel Tygel, presidente da Aliança em Prol da Área de Proteção Ambiental da Pedra Branca, organização do Sul de Minas Gerais (Caldas e região) focada na conservação, revitalização ambiental e agricultura familiar,  defendeu nesta terça-feira, 9, na Câmara dos Deputados, a suspensão do licenciamento para a exploração mineral do planalto vulcânico do sul de Minas Gerais.

Tygel, um dos convidados da Frente Parlamentar  em Defesa da Soberania Nacional para participar de seminário sobre a exploração de terras raras, disse que a região, forte em turismo e agricultura, está ameaçada no momento por duas empresas australianas que pretendem adotar um modelo de exploração “agressivo” para a retirada do carbonato de terras raras.

Segundo ele, o modelo é baseado em um ataque químico que levanta material radioativo e consome muita água. Tygel diz que os países que estão vindo explorar terras raras no Brasil querem ficar apenas com o refino do material.

Arte: Agência Câmara.

“Austrália, Canadá e Estados Unidos não querem minerar. Eles querem que o Brasil minere e fique com o passivo ambiental. Eles querem desenvolver o refino. Por quê? Pela dificuldade no licenciamento ambiental lá. Aqui no Brasil, por outro lado, o licenciamento tem sido feito a toque de caixa”, disse.

O sigilo dos processos de autorização de exploração junto à Agência Nacional de Mineração (ANM) também foi criticado por Daniel Tygel. Ele sugeriu que o Projeto de Lei 2780/24, que estabeelce uma política nacional de minerais críticos, já aprovado na Câmara e em análise pelo Senado, seja aperfeiçoado para fortalecer a soberania nacional e aumentar a participação da sociedade nas decisões.

O deputado Pedro Uczai (PT-SC) defendeu o Projeto de Lei 1754/26, que cria a TerraBras, uma estatal que controlaria a exploração de terras raras com o objetivo de desenvolver a sua industrialização. A nova estatal não tem apoio da oposição, mas a esquerda faz sua defesa. Uczai é um dos autores da proposta.

“Há 30 anos, a China não conseguia competir com os Estados Unidos e a Europa em praticamente nenhum setor. Hoje, lidera grande parte das áreas tecnológicas do mundo. Isso é resultado de decisão política”, disse o deputado.

Segundo o presidente da Rede pela Soberania, Sylvio Costa, a China tem o controle estatal de produtos baseados em minerais críticos. Já os Estados Unidos, o Japão e a Austrália fazem parcerias com a iniciativa privada, mas o Estado exerce sua autoridade sobre a atividade.

Com informações da Agência Câmara.