Taxação proposta pelos EUA deve impactar 1/3 das exportações com tarifas de até 37,5%, diz CNI

O impacto tarifário representa, segundo a entidade, um aumento de 27,5 pontos percentuais em comparação à tarifa atual de 10%.
Ricardo Alban, presidente da CNI: não há benefício para nenhum lado. Foto: Divulgação/CNI.

Uma projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nesta segunda-feira, 15, calcula que caso as novas tarifas propostas pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) entrem em vigor, o que está previsto para julho, 31,6% das exportações brasileiras ao país norte-americano seriam impactadas com tarifas de até 37,5%.

Seguno o estudo, isso significa um aumento de 27,5 pontos percentuais em comparação à tarifa atual de 10%.  Uma outra parte das exportações, 3,6%, teria um aumento de 10% para 12,5%, um acréscimo de 2,5 pontos percentuais.

Caso as recomendações sejam implementadas, 35,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos passarão a estar sujeitas às novas tarifas.

A CNI diz que, considerando também as medidas setoriais da Seção 232 já em vigor, a parcela das exportações brasileiras submetidas a alguma taxação adicional poderia chegar a 54,1%.

O ferro gusa é um dos itens que pagaria 37,5% de tarifa adicional ao invés de 10% como é aplicado com base na Seção 122 atualmente. Em 2024, segundo a CNI, esse produto respondeu por US$ 1,5 bilhão das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.

Outros itens com essa taxa de 37,5% são açucar de cana em forma sólida; sebo não comestivel; alcool etilico não desnaturado e molduras de madeira padrão pinho.

As tarifas propostas não entram em vigor de imediato, e são uma decisão do presidente Donald Trump. Quando anunciadas, o USTR disse que primeiro haveria consulta e audiencias publicas com instituições governamentais e setores produtivos. As audiências sobre as investigações comerciais feitas estão marcadas para 6 e 7 de julho, e podem receber contribuições e manifestações também por escrito.

O que aconteceu

O USTR, no começo de junho, divulgou os resultados de duas investigações com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana que afetam diretamente o Brasil. Uma delas, especificamente apenas contra o Brasil, iniciada em julho de 2025, o Representante Comercial dos Estados Unidos concluiu que práticas relacionadas ao comércio digital, às tarifas preferenciais, ao combate à corrupção, à propriedade intelectual, ao acesso ao etanol e ao combate ao desmatamento seriam restritivas ou onerosas ao comércio dos Estados Unidos.

Como resultado, foi proposta uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções para 1.698 códigos tarifários, como café, suco de laranja e carne.

Outra investigação, que afeta também dezenas de países, concluiu que o Brasil está entre as nações que não adotam ou não aplicam, de forma efetiva, restrições à importação de bens produzidos com trabalho forçado. No caso a tarifa adicional proposta é de 12,5%, com isenção para 1.655 códigos.

Aumento no custo das empresas

O presidente da CNI, Ricardo Alban, alerta que se concretizadas as medidas tarifárias propostas irão impactar negativamente as cadeias produtivas.

“A eventual imposição de novas tarifas não beneficia nenhum dos lados. Elas aumentariam custos para empresas, reduziriam a competitividade e criariam incertezas para investimentos. O caminho mais eficiente é o diálogo, baseado em critérios técnicos e na busca de soluções que preservem uma parceria econômica estratégica para ambos os países”, afirma Alban.

Com informações da CNI.