Indevassável, Moraes escapa de investigação do caso Master há 7 meses

A pergunta que não quer calar após revelação que completa 7 meses do contrato de R$ 129 milhoes com Vorcaro e mulher de Moraes: ele serviu para o ministro favorecer o banqueiro?
Moraes: ensaio fotográfico no dia da condenação de Bolsonaro e aliados para revista americana. Foto: Fábio Setti.

Em junho, a operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025, chegou à nona fase, nenhuma delas para investigar as razões da mulher do ministro Alexandre de Moraes, alçado de herói à vilão no desenrolar do caso Master, ter assinado um contrato milionário de R$ 129 milhões com Daniel Vorcaro, o banqueiro investigado inicialmente por fraude na tentativa de compra do Banco Regional de Brasília (BRB).

Como se sabe, os tentáculos de Vorcaro foram além, atingindo fundos de previdência estaduais e municipais, operações suspeitas com fundos de investimentos, propina a parlamentares para obter leis que atendessem seus interesses etc.

Sobre todas essas questões a Polícia Federal avançou, mas segue intacta de qualquer escrutínio, de qualquer resposta, pergunta fundamental que não quer calar entre tantas em nossa República: o contrato milionário serviu para Alexandre de Moraes atuar como lobista de Vorcaro no Banco Central e no próprio STF?

É questão grave e uma pergunta legítima diante de tudo que foi descoberto sobre as relações de Moraes com Vorcaro por meio da imprensa, particularmente por jornalistas de O Globo, Estadão e Metrópoles. No dia 9 de dezembro de 2025, portanto há 7 meses, Malu Gaspar trouxe à tona detalhes do contrato – que havia sido mencionado pelo colega Lauro Jardim no dia 7 -, inclusive com prints de clausulas do documento, no qual constava:

“O objeto do contrato é a ‘organização e a coordenação de cinco núcleos de atuação conjunta e complementar – estratégica, consultiva e contenciosa – perante o Judiciário, o Ministério Público, a Polícia Judiciária (em outras palavras, a Polícia Federal), órgãos do Executivo (Banco Central, Receita Federal, PGFN (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, Cade (órgão de defesa da concorrência) e Legislativo (acompanhamento de projetos de interesse do contratante)’”.

Malu apanhou pra dedéu por dias seguidos nesta rede social. À mensageira, todo ódio e execração, ao ministro poderoso devoção fervorosa.

Nenhum desses órgãos recepcionou demanda da contratada. O documento firmado com Vorcaro em janeiro de 2024 tem valor superlativo ao extremo relataram especialistas, jamais pago a qualquer banca renomada, abençoando Viviane Barci de Moraes e família. Pouca experiência. Muita “coincidência” ter marido ministro do STF e muitos imóveis comprados.

As perguntas se sucedem desde então: Por que Vorcaro contratou a mulher de Moraes com valores extraordinariamente acima do mercado? Por que o ministro esteve na mansão de Vorcaro em Brasília, ao menos duas vezes, para assistir a posse de Donald Trump em 6 de novembro de 2024 e depois no primeiro semestre de 2025 Vorcaro armou encontro entre o presidente do BRB Paulo Henrique Costa e Moraes numa espécie de bunker da mansão onde se fuma charutos e bebe bom uísque? Relato da colunista Andreza Matais, do Metrópoles, que ouviu quatro pessoas “que presenciaram a cena.”

Por que no dia da prisão do banqueiro, 17 de novembro, ele e Moraes trocaram mensagens no whatsapp, entre 7h19 e 20h48, ficando a enigmática pergunta de Vorcaro a Moraes para ser investigada e respondida: “Conseguiu bloquear?” E por que o ministro do STF as apagava? Malu Gaspar trouxe à tona as mensagens no dia 6 de março deste ano.

Por que o ministro Moraes procurou Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, para pedir pelo banco Master junto à instituição? Malu Gaspar revela o episódio em 22 de dezembro de 2025:

“O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo pelo menos quatro vezes para fazer pressão em favor do Banco Master. Ao menos três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez Moraes se encontrou presencialmente com Galípolo para conversar sobre os problemas do banco de Daniel Vorcaro.” A jornalista consultou seis fontes diferentes. Em um escapismo notável, Moraes disse que tratou da Lei Magnitsky, mas a cronologia de contatos revelada e o contexto da lei americana não batem com sua resposta.

Por que um ministro do STF que vai assumir a Corte em 2027 viajou com sua mulher por oito vezes em jatos ou aeronaves outras de Vorcaro ou de Fabiano Zettel, cunhado e empresário, entre maio e outubro de 2025? Revelação é de Monica Bergamo, da Folha de São Paulo, que fez consulta a tres bases de dados: da Anac, que registra todos os passageiros que saem do terminal executivo do aeroporto de Brasília; do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Dcea), ligado a Aeronáutica, que faz o registro de todos os voos que decolam do mesmo local e do Registro Aeronáutico Brasileiro, também da Anac, onde se encontra os nomes dos donos das aeronaves.

Com todo histórico de quem já passou de herói a vilão por causa dos abusos que violam o devido processo legal de ações por ele julgadas, muitas das quais usurpa o papel de outras instituições atuando como denunciante, investigador, vítima e juiz, e o escândalo Master descredenciam Alexandre de Moraes para a presidência da Corte em 2027.

Algo precisa ser feito, as instituições precisam dar respostas para tudo que já foi exposto com urgência, um ministro da Suprema Corte não é indevassável.

Foto: Moraes (suprema vaidade) possa para o fotografo Fábio Setti para ensaio da revista americana The New Yorker no dia em que a Corte tornou réu Bolsonaro e seus colaboradores diretos.