Tarifaço: Comissão de Relações Exteriores diz que diálogo deve ser prioridade

Comissão do Senado observa que o próprio governo Donald Trump,  ao comunicar a decisão, disse que a aplicação das tarifas, que vem sendo objeto de política dos EUA em ao menos 80 países. não encerra as tratativas por um acordo e que as medidas podem ser revistas.  
Senador Nelsinho Trad, presidente da CRE. Foto: Geraldo Magela.

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado divulgou nota na quinta-feira, 16, na qual manifesta preocupação com a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, e diz que o diálogo deve ser prioridade.

A CRE observa que o próprio governo Donald Trump,  ao comunicar a decisão, disse que a aplicação das tarifas, que vem sendo objeto de política dos EUA em ao menos 80 países. não encerra as tratativas por um acordo e que as medidas podem ser revistas.

“Esse é um sinal de que o diálogo permanece aberto e deve continuar sendo prioridade”, destaca o presidente da CRE na nota, senador Nelsinho Trad (PSD-MS). O parlamentar diz que a Comissão continuará  se empenhando na defesa dos setores produtivos e na “busca de uma solução negociada que evite uma escalada comercial prejudicial aos interesses do Brasil.”

A nota lembra que a decisão final do governo americano representa um cenário “menos gravoso” do que inicialmente imaginado.

“A lista de exceções foi ampliada e passou a contemplar novos produtos de interesse da pauta exportadora brasileira, entre eles ferro-gusa, determinados couros, alguns produtos de madeira, mel orgânico, café instantâneo e outros insumos estratégicos. Esse avanço demonstra que o diálogo institucional e a mobilização dos setores produtivos produziram resultados”, destaca a nota.

O documento destaca a existência de instrumentos legais para o Brasil defender seus interesses, entre eles a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional em 2025, mas adverte para que seu uso deve ser adotado com responsabilidade, “baseado em critérios técnicos e levando em consideração seus impactos sobre a economia nacional e sobre a possibilidade de novas rodadas de negociação.”

Leia a íntegra a nota divulgada pela CRE:

Nota da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos

“Recebemos com preocupação a confirmação das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

A decisão final representa um cenário menos gravoso do que a proposta inicialmente apresentada. A lista de exceções foi ampliada e passou a contemplar novos produtos de interesse da pauta exportadora brasileira, entre eles ferro-gusa, determinados couros, alguns produtos de madeira, mel orgânico, café instantâneo e outros insumos estratégicos. Esse avanço demonstra que o diálogo institucional e a mobilização dos setores produtivos produziram resultados.

Ao mesmo tempo, permanecem sujeitos às novas tarifas segmentos importantes da economia brasileira, como máquinas agrícolas, vestuário, calçados, papel, aço, equipamentos ligados à mineração e outros produtos manufaturados. Por isso, o impacto sobre empresas, trabalhadores e cadeias produtivas continua sendo motivo de preocupação.

Desde o início desse processo, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado trabalhou para abrir canais de interlocução com o Congresso dos Estados Unidos, representantes do setor produtivo e autoridades americanas. Sempre defendemos que a negociação é o caminho mais eficiente para preservar empregos, investimentos e a relação econômica entre os dois países.

O Brasil dispõe de instrumentos legais para defender seus interesses, entre eles a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional. Sua existência fortalece a posição brasileira nas negociações. No entanto, qualquer medida deve ser adotada com responsabilidade, baseada em critérios técnicos e levando em consideração seus impactos sobre a economia nacional e sobre a possibilidade de novas rodadas de negociação.

O próprio governo americano, ao divulgar sua decisão, afirma que a aplicação das tarifas não encerra as tratativas e que as medidas poderão ser revistas. Esse é um sinal de que o diálogo permanece aberto e deve continuar sendo prioridade.

Nosso compromisso seguirá sendo a defesa dos setores produtivos brasileiros, a ampliação das exceções ainda possíveis e a busca de uma solução negociada que evite uma escalada comercial prejudicial aos interesses do Brasil.

Senador Nelsinho Trad
Presidente da CRE.