CNA diz que tarifaço deve atingir 36,5% das exportações do agro para os EUA

Uma lista maior de produtos isentos resulta diretamete, segundo Mori, do fruto do trabalho da CNA e outros representantes do setor privado que atuaram diretamente com o governo americano.
Movimentação de embarque de grãos no porto de Porto Velho. Foto: Rafaela Schuindt.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) declarou nesta sexta-feira, 17, que cerca de36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos deverão ser atingidas pela tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo americano. A tarifa está prevista para entrar em vigor na próxima quarta-feira, 22.

“A CNA recebeu com preocupação o resultado da investigação conduzida pelo governo dos EUA”, afirmou a diretora de Relações Internacionais da entidade, Sueme Mori.

A ampliação da lista de produtos isentos, segundo a CNA, reduziu o alcance da medida sobre o setor, mas parte das vendas do Brasil para o mercado dos Estados Unidos continuará sujeita à cobrança.

Uma lista maior de produtos isentos resulta diretamete, segundo Mori, do fruto do trabalho da CNA e outros representantes do setor privado que atuaram diretamente com o governo americano “na defesa técnica dos interesses do agro brasileiros.”

Deixaram de ser tributados – e antes não estavam na lista – os pescados, mel e café solúvel. Já produtos como madeira, arroz, uva, ovos e açúcar continuam sujeitos à tarifa adicional. De acordo com a CNA, esses produtos tem um peso importante nas exportações brasileiras para os Estados Unidos; eles representaram em 2025 cerca de US$ 4,6 bilhões.

A entidade também chamou atenção para a justificativa apresentada pelo governo americano para ampliar a lista de exceções.

Mori afirmou que a CNA acompanhou a investigação feita pela USTR (Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos) desde o início, apresentando estudos técnicos, participando das consultas públicas e das audiências realizadas em Washington.

A entidade procurou mostrar às autoridades americanas que a competitividade do agronegócio brasileiro “não decorre de práticas desleais de comércio, mas sim de ganhos de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas”.