PL aciona TSE após identificar “rede digital criminosa” contra Flávio Bolsonaro

O partido fez um levantamento e  identificou mais de 50 "perfis fantasmas" com mais de 4,6 mil anúncios pagos com dinheiro obscuro, entre março e fim de junho, que alcançaram próximo de 250 milhões de visualizações, diz o site do PL.
Senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente da República. Foto: Waldemir Barreto.

O Partido Liberal acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma representação protocolada na última sexta-feira, 17, após identificar uma “rede digital criminosa” contra o pré-candidato à Presidência da República pelo partido, senador Flávio Bolsonaro (RJ).

“Estamos diante de uma situação gravíssima e inédita. São fortes os indícios de existência de uma verdadeira organização criminosa digital. Uma estrutura complexa, sofisticada, organizada e ilegal de criação de perfis fantasmas para a contratação de impulsionamentos irregulares, que depois são desativadas e substituídas por novos perfis lícitos”, declarou a advogada Maria Claudia Bucchianeri, autora da representação e integrante da equipe jurídica da pré-campanha do senador.

O partido fez um levantamento e  identificou mais de 50 páginas com “perfis fantasmas” contendo mais de 4,6 mil anúncios pagos com dinheiro obscuro, entre março e fim de junho, que alcançaram próximo de 250 milhões de visualizações, diz o site do PL.

“A estratégia criminosa tem um procedimento comum entre os diversos perfis. As páginas têm, em comum, datas próximas de criação, utilizam telefones com o mesmo DDD, mantêm sites hospedados na mesma plataforma, registram domínios semelhantes e empregam legendas genéricas para dificultar a identificação automática do conteúdo político,” diz a representação.

O pagamento dos anúncios, conforme o levantamento feito pela legenda, aponta para o uso de moedas estrangeiras, como pesos colombianos e dólar.  São estimados um patrocínio ilegal de quase R$ 3 milhões.

A representação pede o rastreamento do esquema financeiro e a quebra do sigilo com a identificação de patrocinadores, administradores e responsáveis pela estrutura técnica da rede fantasma.

Os advogados pedem também que o TSE determine à Meta a remoção dos anúncios considerados irregulares e obrigue a empresa a fornecer informações para identificar responsáveis pelas contas.

Há desconfiança por parte do partido de que a rede seja maior do que a identificada no levantamento apresentado ao TSE. Com base em evidências e dados apresentados, o PL estima que os conteúdos tenham alcançado entre 77 milhões e 137 milhões de brasileiros no Facebook e no Instagram.