PF diz que lobista “aparentemente tinha autorização para agir em nome de Lulinha,” diz jornal

A Polícia Federal coleciona diálogos que demonstram autorização da lobista Roberta Luchsinger para agir em nome de Lulinha, segundo O Estadão. Defesa de ambos condena vazamentos.
Roberta agia em nome de Lulinha, diz PF. Foto: Instagram.

Trechos de  um dos inquéritos sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, obtidos pelo Estadão, revelam que “aparentemente” a lobista e amiga de Lulinha Roberta Luchsinger “tinha autorização para agir em nome dele.”

A Polícia Federal coleciona diálogos que demonstram autorização da lobista para agir em nome de Lulinha. Em um deles, segundo o Estadão, Roberta diz a Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (MDB-MA) que participava da prospecção de negócios junto ao governo federal: “Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fábio.”

Procurada pelo jornal, a defesa de Lulinha afirmou que ele não pode ser responsabilizado por declarações de Roberta Lucshinger e disse que não poderia comentar supostas mensagens cuja autenticidade não está ainda comprovada.

“São ilações da Polícia Federal que não chegam a surpreender, porque setores da PF seguem agindo em uma caçada implacável com objetivos eleitorais. Se esses setores quiserem disputar as eleições, têm que se afastar da função que abraçaram e pedir exoneração. Nós vivemos em uma democracia e o voto vence. São ilações absolutamente irresponsáveis. É difícil a gente afirmar qualquer coisa porque não temos o contexto, já que esses vazamentos são seletivos, criminosos e têm o objetivo indiscutivelmente eleitoral”, afirmou o advogado Marco Aurélio de Carvalho.

A defesa de Roberta afirmou ao jornal: “A divulgação de informações ‘não ajuda a investigação’ e disse que o Ministério da Justiça deveria apurar os supostos vazamentos.”

O senador Weverton Rocha foi alvo das investigações por suspeitas de participar dos desvios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Investigadores suspeitam que ele se associou ao empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, e participaria da prospecção de negócios no governo federal em conjunto com Roberta Luchsinger.

Três inquéritos para apurar possível tráfico de influência de Roberta e Lulinha no governo federal foram abertos em julho, dois deles distribuídos por sorteio ao ministro André Mendonça. O último está com o ministro Flávio Dino. Eles envolvem suspeitas de atuação junto ao Ministério da Sáude e Dataprev e outras áreas do governo federal.