Alessandro Vieira: “Moraes é um cadáver jurídico insepulto e está fedendo”

Em discurso, senador disse que cada um "vai prestar contas para a história," fez um apelo a Alcolumbre pelo impeachment ou construção política pela renúncia de Moraes e disse que a crise vai avançado se nada for feito e cada um "será sócio da destruição da democracia brasileira."
Alessandro Vieira fez apelo a Alcolumbre para instalar processo de impeachment. Foto: Ton Molina/Agência Senado

Na sessão de Plenário na terça-feira, 1º, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), um dos que se pronunciaram a favor de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, fez uma analogia à situação que o Brasil enfrenta, segundo ele um dos piores momentos do Brasil, “uma tragédia anunciada,” com a obra “Incidente em Antares,” de Érico Veríssimo.

Na obra, o autor se utiliza da literatura como instrumento para criticar a ditadura e a hipocrisia das autoridades. De greve geral, a cidade enfrenta a paralisação também dos coveiros, e os mortos começam a ser largados na porta do cemitério. Em determinado momento, os mortos se revoltam, levantam e vão para o coreto da praça falar dos escândalos da sociedade.

“Como na obra, aqui na praça dos Três Poderes temos vários cadáveres insepultos, escândalos que estão se arrastando há décadas. Esse escândalo especificamente se arrasta há muito tempo, e não adianta a gente fingir que ele não existe. Nao temos mais esse direito.  Ele está diante de nossos olhos.  O minsitro Alexandre de Moraes é um cadáver jurídico, um cadáver politico, ele se inviabilizou. Não foi a oposição, o Alessandro, a situação, o Davi, o Zezinho. Quem se inviabilizou foi o ministro Alexandre de Moraes por sua conduta. Um ministro do Supremo Tribunal Federal não pode se prestar a ser assessor de banqueiro, mesmo que fosse um banqueiro honesto. Mas o ministro  Alexandre tinha plena consciência que assessorava um banquerio desonesto,” declarou.

“O senhor tem em sua mesa um pedido de CPI especifica para apurar o banco Master e a relação com ministros, que agora está na imprensa toda. Um contexto onde o investigado fraudando a investigação consulta o magistrado da Suprema Corte para saber como deve ser comportar. Esse cadáver está fedendo. Essa desmoralização da democracia vai ladeira abaixo,” disse Vieira.

Vieira disse ainda que “cada um de nós vai prestar contas para a história,” e que em abril de 2019 já pediu pela primeira vez o impeachment de Moraes por identificar abuso de poder.

“Agora não é mais de abuso, ostensivamente é crime, um escândalo. Eu tento lhe mostrar que mesmo o senhor, presidente do Senado, senador reeleito, mesmo o senhor vai ter de  prestar contas para a história. Esse tamanho de crise vai avançando de forma tal que todos nós seremos sócios da destruição da democracia brasileira; não é possível tapar o sol com a peneira, não dá mais. Os cadáveres estão transitando, os escândalos estão circulando e eles apontam o dedo pra gente e dizem que nós tínhamos o dever de evitar que eles acontecessem,” disse o  senador.

O senador, relator da CPI do Crime Organizado que apontou indícios da relação delituosa dos ministros do STF  Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, e teve o relatório rejeitado pelo conjunto de líderes, foi processado por Mendes e pela família Moraes.

Em defesa do relatório, Vieira disse que apontou uma “relação subterranea de ministro da Suprema Corte com um criminoso, de forma cristalina, didática.” Por isso, e por tudo que expos, fez um apelo a Alcolumbre para a instalação do impeachment ou uma saída pela via da construção política, “porque o senhor é um bom construtor político.” Viera fazia referencia à obtenção da renúncia de Moraes.

“É absolutamente inviável tudo que estamos enfrentando e não podemos fingir que nada está acontecendo, e decidir pela nulidade. O Brasil está vendo,”declarou.