Acorda Brasil, evento de iniciativa do deputado mais votado do Brasil em 2022, Nikolas Ferreira (PL-MG), é o ato político eleitoral de maior relevo na largada das eleições de 2026, por diversos motivos, em especial um: na caminhada de 240 quilômetros feita a partir de Paracatu, cidade de seu Estado, até Brasília, o deputado engajou de maneira intensa e espontânea a juventude.
Dezenas de jovens passaram a segui-lo pela BR-040. Esse segmento é faixa do eleitorado que menos contribui para a intenção de voto em Lula, cada vez mais se afastando do lulopetismo, que busca atrair ao menos parte dele com o Pé de Meia, mas se revela incompetente em consolidar apoio uma vez que processa a mesma política de 23 anos atrás, o mesmo modo de operar a relação com o eleitorado.
Nesse tempo, o Brasil mudou demais, políticas compensatórias são vistas como direito e há uma ânsia por prosperidade em todo lugar. Jovens de classe média alta e jovens conservadores, que trabalham duro, vivem a insegurança nas ruas e frequentam alguma igreja nas periferias, estão cansados da falta de perspectiva, sem conseguir prosperar, e cada vez mais desconfiados dos políticos.
Pesquisa realizada pelo Observatório Febraban e divulgada em dezembro de 2025 aponta que 50% da geração Y (nascidos ente 1980 e 1995) sonham em deixar o país em busca de melhorias, e na geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) eles são 44%.
O deputado, em sua controversa atuação parlamentar, tem sido imbatível na comunicação digital, conferindo sintonia absoluta com os mais jovens também no contato presencial em todo o percurso, ganhando apoio de pessoas de todas as idades. Os videos de sua caminhada tiveram mais de 200 milhões de visualizações.
Há indicativos, é cedo para atestar, que sob a liderança do deputado os bolsonaristas seguidores atraíram eleitores dispersos na faixa despolarizante, os que rejeitam apoiar qualquer um dos espectros – lulopetismo e bolsonarismo. É uma avaliação simplista, de observação com base na análise de postagens feitas da caminhada, que teve o mote Justiça e Liberdade – apelo à anistia para o líder preso, Jair Bolsonaro, e aos condenados pelo 8 de janeiro.
Nos seis dias de caminhada o deputado contou com equipe do gabinete para dar sustentação à empreitada, debaixo de sol e chuva, agitando com a palavra de ordem, Acorda Brasil. E à turma embevecida com a liderança de um jovem tratado por alguns como um novo mito – olha o perigo! -, dizia que o país precisa ser passado a limpo, e que “a perseguição política a opositores,” e “processos ilegais e arbitrários” do 8 de janeiro “são sintomas de algo mais perigoso, o cansaço moral de uma nação que vê o mal triunfar sem consequências.”
Em carta ao povo brasileiro publicada no dia 19 na rede social X, Nikolas Ferreira explicou por que iria fazer a caminhada, iniciada neste mesmo dia. “Não é um gesto de vaidade. Não é espetáculo. É um ato de consciência, de amor ao Brasil e de compromisso com a liberdade.”
Chamou a ação de um “chamado à consciência nacional, para reavivar no brasileiro a esperança, a coragem de fazer o que é certo e a disposição de enfrentar e derrotar o mal que tenta se normalizar entre nós.”
Certamente para a esquerda, que quis impedir a luta política do deputado ao tentar paralisar a caminhada na Polícia Rodoviária Federal, é tudo fake news, nada há do que o brasileiro deva se queixar, não há anomalia institucional, não há impunidade, não se deve dar nenhum crédito a bolsonarista, tudo está maravilhoso no país de assalto a velhinhos e esquemas Master, com juízes e políticos envolvidos e tudo mais.
Para centenas de desesperançados, aflitos com o possível ocaso do bolsonarismo, a ação é vista como uma fagulha para o movimento reencontrar um caminho.
Tudo indica que o jovem deputado, radical bolsonarista, sai do evento credor da família Bolsonaro. Sai da caminhada com nova estatura. E pode ter papel estratégico na campanha de Flávio Bolsonaro à presidência da República por sua capacidade de comunicação e carisma. A ver.