Acordo define destinação social de 558 casas em Nova Mutum Paraná

Acordo encerra duas ações judiciais que tramitavam há mais de uma década na Justiça Federal.
Acordo para destinação das casas contou com participação do prefeito Leo Moraes. Foto: Divulgação/MPF-RO.

Com o Blog

Duas ações que tramitavam na Justiça Federal  há mais de 10 anos foram encerradas com a definição de um acordo assinado em 16 de dezembro envolvendo instituições públicas, a Hidrelétrica de Jirau e a Construtora Camargo Corrêa.  O acordo estabelece a destinação social de 558 casas em Nova Mutum Paraná, distrito de Porto Velho (RO).

Segundo o Ministério Público Federal, a quem caberá juntamente o MP estadual fiscalizar o acordo, a Prefeitura de Porto Velho será responsável por coordenar o destino das casas e regularizar o imóvel a ocupantes que tenham a posse direta do bem, não tenham outro imóvel e sejam de baixa renda.

Outros critérios são que sejam classificados pela ordem de família mais numerosa, com mais tempo de moradia em Nova Mutum Paraná, ser família chefiada por mulher e ocupante maior de idade.

Está definido que R$ 240 mil serão depositados em juízo pela  Hidrelétrica de Jirau e a Construtora Camargo Corrêa  para a  prefeitura custear a regularização fundiária dos imóveis. Elas também irão  pagar R$ 24 mil de honorários advocatícios à Associação dos Procuradores do Município de Porto Velho (Aprom).

Fim do litígio – Em agosto de 2008, a Jirau Energia tornou-se responsável pela construção e pela operação da Usina Hidrelétrica de Jirau, por meio de contrato de concessão. Entre as obrigações para obter o licenciamento ambiental da hidrelétrica estava a construção de casas em Nova Mutum Paraná e em Palmeiral.

A Jirau Energia fez doação onerosa de lotes para a Camargo Corrêa, que construiu casas e posteriormente efetuou a venda desses imóveis. Entre os imóveis pendentes de regularização fundiária e em disputa judicial estavam as casas construídas nos 558 lotes doados à Construtora e outras casas doadas pela hidrelétrica para fins de interesse social. Parte dos imóveis foi ocupada por movimentos sociais e outras pessoas. Toda essa situação deu origem a duas ações judiciais em uma disputa que completou dez anos.

O  Ibama renovou a licença ambiental da Hidrelétrica de Jirau em 2019, condicionando que houvesse a destinação social dos imóveis ocupados, priorizando a prefeitura de Porto Velho como receptora. A Jirau Energia, posteriormente, por descumprimento da condicionante ambiental, recebeu auto de infração do órgão ambiental.

Com o fechamento do acordo, a ser homologado pela Justiça Federal, as duas ações judiciais (0009476-91.2015.4.01.4100 e 0001266-80.2017.4.01.4100) são encerradas, sendo dada como  cumprida a condicionante ambiental estabelecida pelo Ibama, um dos órgãos signatários do acordo.