Atual cúpula teria agido para atrapalhar investigações sobre a chamada “Abin Paralela”

A imprensa revela que um dos momentos em que a cúpula atual da Abin teria atrapalhado as investigações policiais foi quando a PF foi impedida de cumprir mandados de busca e apreensão em janeiro de 2024 no Centro Nacional de Informações da Abin.
Fachada da Abin em Brasília. Foto: Fábio Pozzebom.

A atual cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teria agido para atrapalhar as investigações da chamada “Abin Paralela,” criada na gestão de Jair Bolsonaro, e que indica ter sido mantida pela revelação, do portal UOL na segunda-feira, 31, de depoimentos em novembro de 2024 à Polícia Federal de dois agentes, que disseram ter havido ataques hackers para obter informações do Paraguai.

O esquema de espionar autoridades paraguaias teria começado com Bolsonaro e continuado na gestão de Lula, segundo a Polícia Federal.

Por causa da revelação, o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, anunciou neste 1º de abril que o país suspendeu as negociações com o Brasil sobre o chamado Anexo C da Itaipu Binacional, até que o governo federal esclareça sobre os ataques, que segundo o país vizinho violam o direito internacional.

A imprensa revela que um dos momentos em que a cúpula atual da Abin teria atrapalhado as investigações policiais foi quando a PF foi impedida de  cumprir mandados de busca e apreensão em janeiro de 2024 no Centro Nacional de Informações da Abin.

Para fazer seu trabalho, a Polícia Federal recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), que teria determinado a entrada dos investigadores no prédio, revela a CNN.

Itaipu Binacional conta com gestão dos dois países, Brasil e Paraguai, e as tarifas de energia são negociadas anualmente. É fundamental para o país vizinho a energia produzida pela hidrelétrica.

Está em andamento uma negociação em torno do Anexo C, que define as bases financeiras da tarifa de comercialização da energia da hidrelétrica. Assinado em 26 de abril de 1973, o Anexo C tinha validade de 50 anos, tendo expirado em 2023. O Itamaraty anunciou recentemente que os dois países definiriam um novo acordo até 30 de maio de 2025.

O chanceler Ramirez convocou para consultas imediatas o embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes, a fim de que ele detalhe a suposta ação de inteligência do Brasil contra o Paraguai por meio de uma nota oficial. O embaixador do Paraguai no Brasil, Juan Ángel Delgadill, também foi consultado.

É impressionante como o governo Lula3 produz problemas para si mesmo. E embora desminta essa ação hacker, dizendo que quando soube disso foi desmontada a conduta, é difícil acreditar por tudo que já foi revelado, e por estar em curso uma gestão tíbia, que trata desvios de forma leniente e não preza pela transparência, promessa estridente na campanha.

Da mesma Itaipu Binacional, por exemplo, o governo Lula3 desvia da obrigação, desde 2023, de criar a Comissão Binacional de Contas da hidrelétrica de Itaipu, acordado por Brasil e Paraguai em 2021, para fiscalizar gastos da empresa.

Com um governo assim, que prometeu fazer diferente do antecessor, não se pode esperar nada mesmo a não ser os problemas que tem criado para si e para o país.