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Bolsonaro impõe e Ministério da Saúde libera cloroquina para todos pacientes com covid-19

Bolsonaro impõe e Ministério da Saúde libera cloroquina para todos pacientes com covid-19

Mateus Vargas / O Estado de São Paulo

Diante da recusa de dois ministros da Saúde, que optaram por pedir demissão para não assinar o documento, coube ao general Eduardo Pazuello, que assumiu a pasta de forma interina,  liberar a cloroquina para todos os pacientes de covid-19. Em documento divulgado nesta quarta-feira com o novo protocolo, o ministério recomenda a prescrição do medicamento desde os primeiros sinais da doença causada pelo coronavírus.

Embora não haja comprovação científica da eficácia do medicamento contra a doença, o Ministério da Saúde alega, no documento, que o Conselho Federal de Medicina autorizou recentemente que médicos receitem a seus pacientes a cloroquina e a hidroxicloroquina, uma variação da droga. “A prescrição de todo e qualquer medicamento é prerrogativa do médico, e que o tratamento do paciente portador de COVID-19 deve ser baseado na autonomia do médico e na valorização da relação médico-paciente que deve ser a mais próxima possível, com objetivo de oferecer o melhor tratamento disponível no momento

Na prática, com o novo protocolo, o governo autoriza que médicos da rede pública de saúde receitem a cloroquina associada ao antibiótico azitromicina logo após os primeiros sintomas da doença, como coriza, tosse e dor de cabeça. As doses dos medicamentos se alteram conforme o quadro de saúde. “Os critérios clínicos para início do tratamento em qualquer fase da doença não excluem a necessidade de confirmação laboratorial e radiológico”, diz o documento do Ministério da Saúde.

Até então, o protocolo do Ministério da Saúde era mais cauteloso e seguia o que dizem sociedades científicas. A droga pode causar efeitos colaterais graves, como parada cardíaca. Esse é um dos motivos para a resistência de comunidades de saúde em recomendar a cloroquina sem acompanhamento médico.

Médicos levantam dúvida sobre novo protocolo

Médicos que lidam com a covid-19 já levantam dúvidas sobre o documento. O Ministério da Saúde não é claro em exigir a confirmação laboratorial da infecção para a covid-19 para começar o tratamento. O risco, dizem estes especialistas, é que um caso apenas detectado em análise clínica já seja submetido ao tratamento.

Além disso, o documento do Ministério da Saúde orienta a realização de uma série de exames e monitoramento eletrocardiográfico do paciente. Este tipo de procedimento pode exigir a ida ao hospital de alguém  que poderia apenas fazer repouso em casa para se curar.

Outro aspecto que chamou a atenção de médicos é que ninguém assina o documento divulgado pelo Ministério da Saúde. Os técnicos da pasta são contra a liberação ampla da droga. A Secretaria de Ciência e Tecnologia (SCTIE) da Saúde revisa diariamente estudos publicados sobre tratamentos para a covid-19 e tem repetido, em notas, que não há comprovação da eficácia do produto. Funcionários do ministério, inclusive, devem assinar artigo na próxima edição de revista científica da Fiocruz contra o uso da cloroquina.

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