Bosque da Ciência completa 30 anos de vida como espaço de educação ambiental

O espaço, criado em 1995, é dedicado à divulgação cientifica, educação ambiental, preservação e lazer, abrigando vegetação e animais da região amazônica.
Bosque da Ciência tem programação aberta o ano todo. Foto: Lucas Batista.

Com área aproximada de 13 hectares, o Bosque da Ciência, em Manaus (AM), completa 30 anos neste 1º de abril. É um espaço dedicado à divulgação cientifica, educação ambiental, preservação e lazer, abrigando vegetação e animais da região amazônica.

O Bosque da Ciência é vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Durante o ano, eventos são organizados e oferecidos ao público, como estudantes, pesquisadores e turistas.

Quem visita o Boque da Ciência se encanta com o som dos pássaros, as tartarugas amazônicas e travessuras dos macacos em meio à espécies da flora amazônica, uma conexão que segundo estudos realizados pelo Laboratório de Psicologia e Educação Ambiental (Lapsea), vai além do encantamento com a natureza.

Sintomas como estresse, ansiedade e angustia tem uma diminuição significativa quando se estabelece a conexão com a natureza, apontam as pesquisas do laboratório.

“Há um impacto significativo e profundo no bem-estar humano, afetando aspectos físicos, mentais e emocionais. Além de promover a saúde física e psicossocial, o espaço auxilia em práticas pró-ambientais,” diz a pesquisadora do Inpa e coordenadora do Lapsea, Maria Inês Gasparetto Higuchi.

Espaço seguro e localizado no perímetro urbano de Manaus, o Bosque da Ciência permite, diz Higuchi, um contato positivo com a natureza, “trazendo benefícios mais profundos, especialmente, quando realizado com atenção plena, ou seja, sem distrações como conversas ou o uso de celular.”

A pesquisa do Inpa diz que ao se observar atentamente a natureza e os seres vivos presentes nesses espaços, esse contato aumenta a característica biofílica, a qual é a conexão emocional inata que os seres humanos possuem com a natureza e outros seres vivos.

Além dos impactos emocionais, a interação com a natureza também melhora a saúde física. Caminhar por trilhas, andar de bicicleta ou simplesmente passear em parques contribui para o condicionamento cardiovascular e o fortalecimento dos músculos. A exposição à luz solar natural estimula a produção de vitamina D, essencial para o fortalecimento do sistema imunológico.

A conexão com a natureza também desperta um olhar mais atento para sua preservação, acredita o Inpa. Ao perceber o valor desses espaços, as pessoas tendem a desenvolver uma consciência ecológica, reforçando a necessidade de cuidar do meio ambiente para garantir seu equilíbrio e continuidade.

Lapsea 

O Laboratório de Psicologia e Educação Ambiental (Lapsea) integra a Coordenação de Pesquisas em Sociedade, Ambiente e Saúde (Cosas) do Inpa e tem interface com o ensino de pós-graduação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), no programa de Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia (PPG-CASA).

Estudos sobre a relação entre as pessoas e o meio ambiente, explorando múltiplas abordagens para compreender como atributos pessoais e socioculturais interagem no comportamento ecológico, são realizados pelo laboratório. São desenvolvidos também processos de educação ambiental em contextos escolares e não escolares.

“Se tivéssemos uma lista de atividades que todos poderiam fazer seria recomendado mais visitas aos parques verdes na cidade, caminhadas em ambientes naturais (floresta, sítio, cachoeiras, balneários entre outros), práticas de jardinagem e cultivo de hortas; fazer piqueniques, brincar na areia, nas águas limpas de igarapés, fazer exercícios e brincar ao ar livre”, enfatiza Higuchi.

Uma preocupação é com as crianças afastadas da natureza. “As crianças que vivem em centros urbanos estão, cada vez mais, vivendo quase que exclusivamente em ambientes emparedados e virtuais. Elas perdem as oportunidades de usufruir de todos os benefícios que o contato com a natureza oferece,” lamenta a pesquisadora.

Esse distanciamento tem gerado o que os psicólogos chamam de Transtorno do Déficit de Natureza, revelam os estudos realizados pelo Lapsea, causando severas lacunas na formação das pessoas.

“Sobretudo em jovens e crianças vemos aumentar os níveis de ansiedade, estresse elevado e depressão,” diz a pesquisadora.

Com informações do Inpa.