Brasil e Índia selam acordos em segurança, energia e transformação digital

A Índia é o 10º maior parceiro comercial do Brasil, com importações que superam as exportações brasileiras para o país asiático.
O presidente Lula e o primeiro-ministro Narendra Modi. Foto: Ricardo Stuckert.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta terça-feira, 8, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, um encontro bilateral marcado pela assinatura de seis instrumentos de cooperação nas áreas de segurança pública, energia, agricultura, inovação digital e propriedade intelectual.

Os atos firmados se destacam pela cooperação no combate ao terrorismo e ao crime organizado transnacional; memorando de entendimento na área de energia renovável, com foco em transmissão de energia; e o memorando para compartilhamento de soluções digitais em larga escala, voltadas à transformação digital.

Segundo o Planalto, esse é um novo momento na parceria estratégica com a Índia “e reforça a disposição mútua em ampliar a cooperação em áreas fundamentais para o desenvolvimento sustentável, a paz internacional e o fortalecimento do Sul Global.”

São cinco os pilares prioritários da reunião bilateral: defesa e segurança; segurança alimentar e nutricional; transição energética e mudança climática; transformação digital e tecnologias emergentes; e parcerias industriais em setores como aeronáutica, farmacêutico, petróleo e gás e minerais críticos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs a criação de um centro de excelência conjunto em transformação digital, com base na experiência indiana em infraestrutura digital pública e aberta. Ele também manifestou interesse em fortalecer parceria na área da saúde, incluindo o desenvolvimento e produção de vacinas e medicamentos.

Na cerimônia, o presidente falou da importância da parceria entre Brasil e Índia, reforçando que a cooperação pode ser decisiva no enfrentamento de desafios globais. “Como membros do G20 e do BRICS, atuamos em defesa do multilateralismo e de uma governança global mais inclusiva. Somos aliados naturais na resposta à fome, à pobreza e à mudança do clima”, afirmou.

Por compartilharem segundo ele características semelhantes, o presidente Lula disse “muito importante que as pessoas compreendam que um país megadiverso como o Brasil tem a obrigação de ter uma relação política, cultural, uma relação econômica e comercial com outro país megadiverso.” Uma cooperação ampla se projeta diante da riqueza natural, a pluralidade cultural e a diversidade social de ambos os países.

Transição energética

Os dois países se comprometeram a liderar a transição energética e ampliar a cooperação no campo da bioenergia. “Já somos parceiros na Aliança Global para Biocombustíveis. A Índia é o mercado de bioenergia que mais cresce no mundo. Podemos ser os motores de um novo modelo de desenvolvimento baseado em energias limpas”, afirmou Lula.

Aliança contra a fome

O presidente Lula agradeceu o primeiro-ministro Modi pelo apoio da Índia à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e ressaltou a contribuição histórica se seu país na pecuária brasileira: “90% do rebanho zebuíno do Brasil é resultado de 60 anos de cooperação e melhoramento genético”.

10º maior parceiro comercial

Segundo o Planalto, a Índia atualmente é 10º maior parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o comércio bilateral totalizou US$ 12 bilhões, com crescimento de 24% nos cinco primeiros meses de 2025.

Chegaram a US$ 5,26 bilhões as exportações brasileiras, com destaque para açúcar, petróleo bruto, óleos e aviões. As importações têm maior volume: somam US$ 6,8 bilhões, o que faz da Índia a sexta maior origem de importações para o Brasil.

Os investimentos indianos no Brasil estão focados no setor de transmissão de energia, defensivos agrícolas e fabricação de veículos pesados. No sentido contrário, destacam-se investimentos brasileiros em setores como motores elétricos, terminais bancários e componentes de veículos pesados.

Com informações do Palácio do Planalto.