Brasileiros cada vez mais enrolados em dívida: 77,8 milhões estão no vermelho

De maio para junho, entraram na lista de inadimplentes mais 800 mil pessoas; o Amapá é o Estado com maior percentual de endividados, 63, 49% e Santa Catarina o menor, 37,69%.
Individualmente, o endividamento médio é de mais de R$ 6 mil. Foto: Marcello Casal/ABr.

O número de brasileiros enrolados com dívidas cresce mês a mês neste ano de 2025, uma realidade nada alterada com o programa Desenrola, do governo federal, que ficou longe de atender as expectativas. O endividamento continua a se alastrar em todas as regiões do país, chegando a 77,8 milhões de pessoas inadimplentes.

É o que revela o Mapa da Inadimplência da Serasa, de junho, um crescimento de 1,04% em relação ao último mês, e cada inadimplente em média carrega uma dívida de R$ 6.128. O cartão de crédito continua no topo da lista do principal responsável pela negativação de brasileiros, com 27,5% dos débitos.

Contas de serviços essenciais como luz, água e gás aparecem em seguida com 20,7%, financeiras não bancárias,19,4% e serviços,11,8%.

Comparando com junho do ano passado, o salto no número de inadimplentes foi de 5,3 milhões. Em junho de 2024 o número de inadimplentes foi de 72,5 milhões.  Em janeiro do atual ano, estavam nessa condição 74,6 milhões de brasileiros.

O valor total das dívidas que alcançam o volume de pessoas endividadas é de R$ 477 bilhões.

Onde estão os endividados

O Amapá ocupa o primeiro lugar de população mais endividada (63,49%), e Santa Catarina o último (37,69%). Refletem contrastes de um Brasil menos e mais desenvolvido, com população de menor e maior renda. A perda de renda e o desemprego estão entre as principais causas da inadimplência.

O Distrito Federal é o segundo em número de população endividada, 61,01%. Outros dois Estados da região Norte estão entre os 10 primeiros com maior número de endividados – Amazonas, 55,67%, e Roraima, 51,32%.  Rondônia ocupa o 4º lugar na região, e nacionalmente o 11º lugar, com 49,57% de inadimplentes.

O cartão de crédito, segundo o porta-voz da Serasa, Giovani Inocente, é muito nocivo para o orçamento das famílias por causa do elevado juros no país. “O cartão acaba sendo o principal vilão das dívidas porque as pessoas, em geral, não têm uma economia ou uma reserva de emergência. Então, qualquer imprevisto já desestabiliza o orçamento, o controle se perde e a dívida cresce rapidamente por causa dos juros”, disse ele ao jornal Correio Braziliense.

O valor médio de cada acordo realizado  em junho na plataforma de renegociação de dívidas do Serasa foi de R$ 772. No total, foram somados mais de R$ 9,90 bilhões.

Estão disponíveis outras 611 milhões de ofertas para negociação no Serasa Limpa Nome. Ao todo, são mais de R$ 953 bilhões em ofertas disponíveis.

Segundo a Serasa, apesar dos mais de 64 mil acordos de renegociação fechados recentemente, a recuperação financeira é complexa e distante para muitos brasileiros ainda.  A falta de educação financeira, dizem especialistas, é um dos entraves para o controle das finanças.

Mapa da Inadimplência do Serasa Junho 2025