Ciro Gomes lança pré-candidatura ao governo do Ceará: “fraco líder faz fraca a gente forte”

A frase, uma adaptação de Os Lusíadas, de Camões, realça que a falta de preparo e autoridade do atual governador Elmano de Freitas (PT) desmotiva e abala a população, que hoje vive sob o domínio de facções criminosas.
Evernto do PSDB de lançamento da pre-candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará.

Com atraso de cerca de duas horas, o lançamento da pré-candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará na manhã deste sábado, 16, contou com caravanas de diversos municípios, e o discurso do ex-ministro foi marcado pela preocupação com o crescimento e domínio das facções criminosas no estado.

Ciro Gomes foi bastante prestigiado no lançamento da pre-candidatura no Ceará.

“O fraco líder faz fraca a gente forte, “ disse Ciro Gomes no começo do discurso, para realçar que a falta de preparo e autoridade do atual governador Elmano de Freitas (PT) desmotiva e abala a população, que hoje vive sob o domínio de facções criminosas.

“Ninguém neste país é mais bravo e lutador do que o povo do Ceará. E hoje o povo do Ceará vive falando baixo, com medo, humilhado, aterrorizado, capionga (abatido) porque nunca se avançou tanto o crime diante da omissão quase absoluta do estado,” disse Ciro.

A frase citada por Ciro é uma adaptação da obra de Luís de Camões, Os Lusíadas, e traz a reflexão de como um povo mesmo trabalhador e criativo pode se sentir acuado e desmotivado pela ausência de liderança comprometida de verdade com a população.

Ciro Gomes manifestou por diversos momentos preocupação com a ampliação do crime organizado no Ceará, o que está inibindo investimentos, desperdiçando oportunidades, e disse que precisará de ajuda dos que o apoiam para enfrentar os desafios que virão caso seja eleito.

“Eu não estou exagerando, vocês podem achar que estou exagerando. Estou estudando a criminalidade, e tenho pedido a Deus que me de luz para que eu não traia a confiança e gratidão a quem tudo devo, ao povo do meu estado. O Ceará subiu para um dos primeiros estados no crime no país,” disse.

Ciro Gomes disse que nos “mais graves dez anos,” período em que “as facções disputaram territórios, mataram nossos filhos, humilharam nossas mulheres e recrutaram jovens para o tráfico,” o governo estadual não nomeou um novo delegado sequer para combater a crescente escalada de crimes.

“Em dez anos, nenhum delegado nomeado,a autoridade policial encarregada de formalizar culpa, preparar inquérito, nada. Bando de irresponsáveis e frouxos que servem a si mesmo; chamaram um concurso agora para contratar 100 delegados, e não contrataram nenhum,” declarou.

Ciro Gomes disse também que Fortaleza continua com apenas seis delegacias de plantão para atender no período noturno, quando se sabe ser horário de maior criminalidade. “Há doze anos tinham seis delegacias. Hoje tem a mesma coisa,” relatou.

“Sabe qual é a consequência disso? Fortalecem o crime. Dá para dizer que estão combatendo o crime organizado? Dá para dizer que estão combatendo de forma minimamente comprometida?” disse.

O pré-candidato pelo PSDB falou também sobre a saúde. “Lotearam toda a rede. Regional, unidades de saúde, tudo. Virou cabide de emprego. Uma pessoa que precisa sair do interior e ir para Fortaleza para tratamento de alta complexidade entra no caos. Porque a regulação foi destruída,” disse Ciro, citando a fila de 63 mil pessoas à espera de cirurgia eletiva.

Ciro Gomes está obtendo no Ceará apoio de partidos de centro, centro-direita e da direita. Ele manifestou no ato de lançamento da pré-candidatura, realizado no ginásio do colégio Evandro Ayres de Moura, no Conjunto Ceará, em Fortaleza, a vontade de ter como vice o ex-prefeito de Fortaleza, o médico Roberto Claudio (União Brasil).

O Conjunto Ceará, onde foi realizado o evento do PSDB , tem uma simbologia – no passado, quando Ciro foi prefeito, a região contou com intervenções de relevo para melhorar a vida da comunidade. É atualmente um reduto bolsonarista.

Estavam no evento, além do correligionário Tasso Jereissati, o capitão Wagner (Uniao Brasil); deputado André Fernandes (PL) e seu pai, o pastor Alcides Fernandes (PL), que será lançado candidato ao Senado e inúmeros outros militantes do PSDB, PL e União Brasil.