Conselho de Ética aprova processo contra Érika Hilton por quebra de decoro

A representação teve como origem um post de Érika Hilton na rede social X em março deste ano logo após ela ser eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher no dia 11 desse mês. 
Relator do processo, deputado Cabo Gilberto dá prosseguimento ao pedido do MIssão. Foto: Renato Araújo.

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira,11,  por 10 votos a 5, o prosseguimento da Representação 8/26, em que o Partido Missão acusa a deputada Erika Hilton (Psol-SP) de quebra de decoro. O partido pede a cassação do mandato da deputada.

A representação teve como origem um post de Érika Hilton na rede social X em março deste ano logo após ela ser eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher no dia 11 desse mês.  A postagem ocorreu em meio à reação de parlamentares que protestaram por sua escolha para comandar o colegiado. A eleição da deputada foi confirmada pela Câmara com 11 votos favoráveis e dez em branco por parte do grupo.

Érika escreveu: “E não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa.” Foi esse trecho especialmente que o Missão questiona, por entender que ofende as mulheres (com a expressão CIS destacada). Outro trecho no mesmo post que segue a linha de ofensa foi: “Podem espernear. Podem latir.”

“Erika Hilton ofendeu diretamente as mulheres rebaixando-as à condição de cadelas,” disse a Representação do Missão. O partido diz ainda que o termo CIS colocado em “maliciosa capitalização” é um ato de escárnio que não deixa margem de dúvidas: “trata-se de um ataque direto e interncional às mulheres cisgênero de forma coletiva, ou seja, àquelas cuja identidade de gênero corresponde ao sexo biológico.”

Autor do parecer preliminar aprovado, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) concluiu pela continuidade do processo. “A imunidade parlamentar não afasta a possibilidade de que o próprio Parlamento reconheça excesso ou abuso no emprego da palavra e aplique a sanção que entender cabível”, disse o relator.

Estilo Érika

Considerada agressiva com os colegas, na defesa prévia apresentada ao conselho, a deputada pediu o arquivamento do processo e acusou a oposição de perseguição política. Segundo ela, a palavra “imbeCIS” se dirigia a pessoas transfóbicas, e não à coletividade das mulheres. Porém, foram as mulheres de oposição que protestaram no dia da votação contra sua escolha.

Em relação a “podem latir”, afirma que a frase se referia a seus opositores políticos.

A defesa também pedia a troca do relator, mas o presidente do Conselho de Ética, deputado Fabio Schiochet (União-SC), negou o pedido.

No parecer, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) conclui que existem, em análise preliminar, elementos suficientes para que a representação do Partido Missão continue tramitando. O relator afirmou que há indícios de autoria, materialidade e a descrição de uma conduta que, em tese, poderia ser incompatível com o decoro parlamentar.

As próximas etapas do processo, segundo a Agência Câmara, são:

A deputada receberá uma cópia da representação e terá dez dias úteis para apresentar defesa escrita.Ela poderá ainda indicar provas e apresentar até oito testemunhas.

Em seguida, o relator iniciará a fase de produção de provas e apresentará o parecer final.

O processo tem prazo de até 40 dias úteis.

O parecer final será discutido e votado pelo Conselho de Ética nominalmente.

Relatorio Deputado Cabo Gilberto