O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), disse na rede social X que o colegiado vai recorrer e enfrenar a decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, que anulou o sigilo bancário, telemático e fiscal da Maridt quebrado pela CPI por meio de uma Mandado de Segurança arquivado em março de 2023, o que está gerando críticas de especialistas e de políticos.
“É uma decisão absurda tanto na forma quanto no mérito, e preciso fazer uma contextualização para vocês entenderem,” diz Vieira no vídeo, passando a explicar rapidamente o motivo da CPI ter autorizado a quebra de sigilo em pedido feito por ele.
Lembrou o senador que a CPI também aprovou a convocação dos irmãos José Carlos e Jose Eugênio Dias, sócios conhecidos da empresa Maridt, da qual é socio oculto o ministro, “e em decisão fundamentada por conta do potencial vínculo entre Master e a Reag, com notícias consistentes de circulação de recursos para lavagem de dinheiro inclusive do PCC,” diz.
Os irmãos recorreram a André Mendonça, relator do caso Master, que facultou a eles o direito de não comparecer à CPI, justamente porque já são investigados, o que é normal, é da jurisprudência do STF.
“Mas chama a atenção que a empresa Maridt, que tem socio oculto, ela não peticiona o relator do caso Master, que é Mendonça e nem se faz a livre distribuição do pedido de anulação do sigilo,” continua Vieira.
O senador lembra que a Maridt “peticiona diretamente ao ministro Gilmar Mendes nos autos do Mandado de Segurança (MS 38187), que é desarquivado e o ministro decide pela nulidade do sigilo. Esse processo é de março de 2023, quase três anos, arquivado; Gilmar não só desarquiva como decide pela nulidade da quebra dos sigilos e depois manda arquivar de novo,” conta o senador.
Vieira diz que “nesse emaranhado de decisões atípicas e de movimentações milionárias e suspeitas uma verdade é imperiosa: esse escândalo é grande demais para empurrar para debaixo do tapete, e a Comissão Parlamentar de Inquérito e Senado vão ter de fazer seu papel.”