A CPMI do INSS cancelou a sessão desta segunda-feira, 9, por causa da ausência dos dois depoentes agendados, o empresário Paulo Camisotti, filho de Maurício Camisotti, um dos representantes de entidades que mais faturaram com desconto ilegal de aposentados, o depoimento do deputado estadual do Maranhão Edson Araújo (PSB), recém-operado.
Paulo Camisotti apresentou atestado medico de ultima hora. Ele é apontado pelos investigadores como administrador de empresas que serviam para lavar dinheiro roubado dos aposentados e pensionistas do INSS, atuando na ponta final da cadeia do crime.
A Polícia Federal diz que o dinheiro passava por várias associações comandadas por Maurício Camisotti, atualmente preso, e seguia para empresas da família. A investigação busca esclarecer de que forma esses recursos chegavam ate as empresas ligadas à família Camisotti.
As investigações apontam que Maurício Camisotti controlava ao menos três entidades que, desde 2021, faturaram mais de R$ 1 bilhão com a utilização de descontos não autorizados por beneficiários do INSS.
A CPMI não aceitará expedientes protelatórios nem o uso de atestados médicos como instrumento para esvaziar investigações. As providências legais e regimentais cabíveis serão adotadas, inclusive a condução coercitiva, caso seja necessário. A comissão seguirá atuando com firmeza, responsabilidade e respeito às prerrogativas do Congresso Nacional, em defesa dos aposentados, órfãos e viúvas”, disse Carlos Viana nas redes sociais.
Viana informou sobre o deputado estadual Edson Araújo que uma Junta Médica do Senado avalizou que ele está apto a prestar depoimento, mas não deve se deslocar a Brasília neste momento porque passou por uma cirurgia.
Paulo Camisotti possui habeas corpus concedido pelo ministro Flávio Dino, que o assegurava o direito ao silêncio na oitiva pela CPMI. O atestado medico apresentado de ultima hora irritou membros da CPI que veem a iniciativa como mera protelação.
O presidente da CPMI Carlos Viana trabalha para que o ministro André Mendonça reveja a decisão que deu a Maurício Camisotti o direito de não prestar depoimento.
Em oficio encaminhado à CPMI do INSS, a Polícia Federal recomendou que a oitiva dele, preso na sede da superintendência da instituição em São Paulo, seja feita de forma reservada, em razão do caráter sigiloso das investigações pela Delegacia Especializada na Repressão a Crimes Previdenciários.
Com informações da Agência Senado.