CPMI do INSS: relator deve pedir indiciamento de mais de 200 pessoas

Mesmo sem posição do relator do caso no STF, ministro André Mendonça, que não manifestou sobre o pedido de prorrogação feito pelo colegiado, o documento final deverá ser lido, e em outra sessão, no dia 26, quinta-feira, o texto será votado. 
Sessão da CPMI do INSS esvaziada: nem Martha Graeff e nem Rodrigo Assumpção, da Dataprev, compareceram. Foto: Andressa Anholete.

A CPMI do INSS  agendou para quarta-feira, 25, a leitura do relatório do deputado Alfredo Gaspar (União-AL), no qual deverá constar o pedido de indiciamento de mais de 200 pessoas  envolvidas no esquema de fraudes e descontos indevidos em aposentadorias e pensões de beneficiários da autarquia.

Mesmo sem posição do relator do caso no STF, ministro André Mendonça, que não manifestou sobre o pedido de prorrogação feito pelo colegiado, o documento final deverá ser lido, e em outra sessão, no dia 26, quinta-feira, o texto será votado.

A base governista articular a apresentação de um relatório paralelo ao do relator. O entendimento entre a oposição e parlamentares do governo para aprovação do texto final é dificultado pela intenção do relator d incluir o filho mais velho do presidente Fábio Luís Lula da Silva entre os indiciados.

A relação de Lulinha com o lobista Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, justifica o indiciamento, diz o relator. A mais recente informação sobre Lulinha foi publicada no site Metrópoles nesta segunda-feira, 23, com exclusividade.

Ele teria viajado à Noruega e à Finlândia em janeiro de 2025 para ver a aurora boreal com sua família, com todas as despesas pagas pela lobista Roberta Luchsinger, tendo se hospedado em hotel com diária de R$ 37 mil. Roberta recebia em sua conta dinheiro do Careca do INSS, e segundo o ex-sócio do lobista mesada de R$ 300 mil era repassada ao “filho do rapaz” por meio dela. Investigadores suspeitam ser Lulinha o beneficiário.  

A cúpula da CPMI recorreu ao STF para pedir a prorrogação do prazo por até 120 dias, sob o argumento de omissão deliberada da Mesa Diretora e do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, que ignoraram o pedido de extensão dos trabalhos, marcado por inúmeras ausências de convocados, todas amparadas por decisão do ministro relator, André Mendonça, e no caso de anulação de quebra de sigilos, como o da empresa da família Toffoli, a Maridt, da lavra de Gilmar Mendes  e de Flávio Dino.

O ministro Dino, de uma só canetada, anulou 87 atos da CPMI do INSS, e questionou na decisão a votação em bloco adotada pelo colegiado, algo que sempre existiu em CPIs, e agora monocraticamente o ministro Dino diz que afronta a Constituição, sendo um procedimento que terá de ser revisto.

Sessão cancelada 

Nesta segunda-feira, 23, a sessão da CPMI do INSS foi cancelada. Estavam previstos os depoimentos da modelo Martha Graeff e do presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção. A ex-noiva do banqueiro liquidado Daniel Vorcaro, investigado por fraudes financeiras, vive em Miami e não foi localizada. De acordo com o senador Izalci Lucas (PL-DF), ela  “desapareceu, não deu notícia”. O presidente da Dataprev alegou motivos de saúde para a ausência.