O advogado Celso Sanchez Vilardi, que representa o ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou nesta terça-feira, 25, que seu cliente não tem qualquer conhecimento ou ligação com plano de golpe de Estado, e mais uma vez insistiu para que o julgamento seja realizado no Plenário, com os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
“O fato concreto é que o acusado de liderar uma organização criminosa para dar golpe socorreu o ministro da Defesa nomeado pelo presidente Lula porque o comando militar não o atendia. Foi o presidente quem determinou que o atendesse. E autorizou a transmissão do poderio militar no começo de dezembro de 2022, antes mesmo de mudar o governo e da posse,” registrou. Á época, a mudança no comando das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica) foi feita durante a transição de governo.
“Não é possível que se queira dizer que isso é compatível com uma tentativa do golpe”, argumentou o advogado, pedindo a rejeição da denúncia após relatar que não teve acesso a mídia integral dos autos e que a delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, não faz nenhuma ligação do ex-presidente com os fatos de 8 de Janeiro.
O advogado criticou a delação, e aceitação pela justiça da conduta de Cid. É que o delator comentou sobre a delação feita com parentes em uma espécie de “desabafo” que foi parar na revista Veja. “Ele rompeu o acordo quando falou. A lei não autoriza falar com ninguém. Mais adiante a Polícia Federal disse que ele mentiu e se contradisse. Essa é a maior crítica minha, a delação, “observou.
A sustentação oral de Vilardi teve início quando ele disse que “Bolsonaro foi o ex-presidente mais investigado da história do país.”
“Começa a investigar uma live em que se autoriza a quebra de uma nuvem do seu ajudante de ordens, que perdura por meses essa investigação, tem quebra de sigilo, com vários objetos diferentes. É no Tribunal Superior Eleitoral, depois num segundo momento o cartão corporativo, gastos dele e da primeira-dama, depois emendas e vai chegar na questão das vacinas. Esse inquérito é a gênese de todo o caso da vacina. Tem a prisão e colaboração de Cid. Depois de tudo? Buscas e apreensões, quebra de nuvens, e absolutamente nada foi achado contra o presidente,” disse Vilardi.
Ele acrescentou que, ainda assim, a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República não conseguiu apresentar nenhuma prova da ligação de Bolsonaro com o plano golpista ou com os atentados do 8 de janeiro de 2023. Vilardi disse que a Polícia Federal usou o termo “possivelmente” 90 vezes para se referir a plano ou minuta do suposto golpe de conhecimento por parte de Bolsonaro, enquanto “o Ministério Público Federal faz conjecturas sobre impressão de um documento.”