Delator do INSS, Camisotti aceita devolver R$ 400 milhões em acordo com a PF

Primeira delação premiada no caso do INSS está na PGR para validação. Expectativa dos envolvidos é desfecho do acordo ainda neste mês de abril.
Revelações de Camisotti aos investigadores é mantida sob sigilo. Foto: Reprodução.

Um dos empresários que mais se beneficiaram com o esquema de subtração de recursos dos aposentados e pensionistas do INSS por meio de descontos associativos, Maurício Camisotti deve devolver R$ 400 milhões aos cofres públicos em acordo firmado com a Polícia Federal. A informação foi antecipada pelo SBT.

Preso desde setembro de 2025 pela Operação Sem Desconto, Camisotti controlava três entidades que faturaram mais de R$ 1 bilhão com a farra dos descontos indevidos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Por meio de suas empresas, ele recebeu ao menos R$ 43 milhões das entidades investigadas por fraude nas cobranças, segundo a Polícia Federal.

Juntas, as entidades, somente no último ano, faturaram R$ 580 milhões. A PF obteve a suspensão do acordo da Ambec com o INSS. É a entidade que mais transferiu dinheiro para as empresas de Camisotti: R$ 30,1 milhões.

O acordo de delação premiada do empresário, primeiro a delatar no caso do INSS, precisa ser validado pela Procuradoria Geral da República antes de homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A PGR avalia se a documentação apresentada pelo delator é suficiente ou se há necessidade de complementação nas informações que serão prestadas.

Segundo as informações divulgadas, o montante oferecido é superior ao que Camisotti alega ter ganhado com o esquema fraudulento, com o qual teria lucrado cerca de R$ 200 milhões, incluído a devida correção monetária.

De acordo com o site Poder360, o acordo teve a mediação dos advogados Celso Villardi e Átila Machado junto à Polícia Federal.  O documento já está sob análise da PGR, que recebeu o acordo seus detalhes em meados de março.  A expectativa entre os envolvidos, ainda segundo o site, é de manifestação por volta de 22 de abril.

Por enquanto, as revelações de Camisotti aos investigadores é mantida sob sigilo.