Eleições 2026: MP se prepara para combater influência de criminosos na disputa

Relatório sigiloso da Polícia Federal apontou que em 2024, ano de eleição municipal, ao menos em 42 cidades ocorreram tentativas de interferências  nas campanhas eleitorais.
Prefeito Francisco Damião tentava a reeleição em 2024. Foto: Reprodução/redes sociais.

Dois Grupos de Trabalho (GTs) que entram em funcionamento no próximo dia 1º, criados pelo Ministério Publico Eleitoral (MPE) serão constituídos para combater a influência de organizações criminosas nas eleições e acompanhar as mudanças em normas e jurisprudências relativas à disputa eleitoral deste ano de 2026. A informação é do Ministério Público Federal.

Eles foram criados pelas portarias PGE nº 65/2025 e nº 66/2025, assinadas pelo vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa. Os grupos tem vigência até 31 de outubro de 2027.

Mais de 150 milhões de brasileiros vão às urnas em todo o país em outubro para escolher presidente, governadores, deputados e senadores. Ao Ministério Público compete acompanhar todas as etapas do processo eleitoral com a tarefa de evitar abusos e garantir a livre escolha dos eleitores nas urnas.

Quatro procuradores regionais eleitorais e dois membros auxiliares da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) fazem parte do Grupo de Trabalho de Combate ao Crime Organizado no Âmbito Eleitoral. Eles irão elaborar estudos e um plano de ação para nortear o trabalho do Ministério Público em todo o país.

O propósito é evitar que organizações criminosas se infiltrem no processo eleitoral, que tem atuado em diversos estados do Brasil para corromper agentes públicos e comprometer a legitimidade do Estado e a execução de políticas públicas.

Caberá ao grupo prestar apoio aos promotores e procuradores, levantar informações e estreitar o diálogo com os Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos) e os Núcleos de Inteligência dos Ministérios Públicos Federal, dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. Esse trabalho coordenado está previsto na Resolução nº 297/2024, do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Os procuradores no Brasil  têm demonstrado preocupação com denúncias recebidas e noticiadas pela imprensa sobre a interferência de milícias e do crime organizado nas disputas eleitorais pelo Brasil. O MP Eleitoral conseguiu barrar na Justiça o registro de candidatos a vereador em Belford Roxo e em Niterói, ambos no estado do Rio de Janeiro, por envolvimento dos políticos com grupos criminosos, nas ultimas eleições.  A Constituição Federal e a Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/1995) impedem a candidatura de pessoas ou partidos políticos envolvidos com organizações criminosas.

Relatório sigiloso da Polícia Federal , mencionado pelo G1, aponta que em 2024, ano de eleição municipal, ao menos em 42 cidades ocorreram tentativas de interferências  nas campanhas eleitorais.

Em 1° de janeiro entrou em funcionamento o Grupo de Trabalho de Acompanhamento Legislativo e Jurisprudencial no âmbito da Procuradoria-Geral Eleitoral. Ele é formado por oito procuradores regionais eleitorais e dois membros auxiliares da PGE. O grupo vai acompanhar as propostas e debates legislativos sobre regras relacionadas às eleições, bem como as normas editadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a disputa, podendo emitir notas técnicas e manifestações.

Facções no interior

Em maio o Fantástico, programa da TV Globo, mostrou a atuação de  facções criminosas com a intenção de interferir no resultado das eleições em cidades do interior do Brasil. A reportagem mostrou a pequena cidade de João Dias, no Rio Grande do Norte, com pouco mais de 2 mil habitantes, como alvo em pleno processo eleitoral de 2024 da disputa de poder por traficantes internacionais ligados ao PCC.

Os criminosos executaram Francisco Damião de Oliveira, prefeito da cidade, e seu pai. Ele disputava a reeleição.

Facções criminosas têm atuado para interferir no resultado das eleições em cidades do interior do Brasil. Foi o que aconteceu em João Dias, no Rio Grande do Norte. Um grupo que contava com traficantes internacionais ligados ao PCC executou o prefeito da cidade após uma briga pelo poder.

A cidade de pouco mais de 2 mil habitantes estava em plena disputa eleitoral. O alvo dos criminosos era Francisco Damião de Oliveira, conhecido como Marcelo, prefeito de João Dias. Ele e o pai foram assassinados em agosto de 2024.

Segundo o G1, “a execução foi o desfecho trágico de uma disputa pelo poder na cidade, que envolvia um acordo realizado para a eleição anterior e planejado por traficantes do PCC.”

Com informações do MPF.