Em vantagem eleitoral competitiva, PT quer abafar críticas de “quem não vale uma titica de cachorro”

Expressão é do presidente Lula, dita em 2024 em evento na Bahia, inconformado com criticas da oposição dentro e fora do Congresso.
Lula demonstrou desprezo por adversários. Foto: Lula Marques.

Ora, ora. O PT mandou sugestão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no âmbito de consulta pública para decidir sobre regras que vão nortear por meio de resoluções as eleições gerais de 2026, pedindo para proibir o impulsionamento de contraponto às ações do governo três de Lula da Silva.

O impulsionamento nas redes sociais para críticas a governos está previsto entre as regras postas para análise no tribunal, em trabalho coordenado pelo vice-presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, desde que estejam ausentes “elementos relacionados à disputa eleitoral.”

A proposta não considera propaganda eleitoral antecipada negativa os posts que avaliam de forma criticam as ações de governos, mesmo se impulsionados por adversários na fase de pré-campanha. Não vi nenhum governador que tentará a reeleição, nenhum partido político, recorrer a uma sugestão em discussão no TSE o que, na prática, é uma baita intervenção do PT por censura, censura a que o partido, por seu histórico hegemônico, de déficit democrático e DNA autoritário, vira e volta propõe.

O Brasil está numa encruzilhada trágica porque embora arrecade muito, os gastos são superlativos, mal direcionados, o custeio da máquina publica é gigante com 38 ministérios, apequenam-se os investimentos em infraestrutura, chegamos a mais de um trilhão em pagamentos de juros e amortizações, falta dinheiro para tudo, e o país cresce à taxa medíocre equivalente ao comando medíocre do país.

A política fazendária é só arrecadar, não há inovação e mudança transformadora, a segurança pública é só o caos, mas o PT declara que retratar um quadro que inclui não haver dinheiro nem para um cafezinho na Esplanada em 2027, como já admitiu o próprio governo três do Lula, é propaganda negativa que não pode ser reprisada, realçada e esmiuçada dada a gravidade e complexidade da situação pelos pré-candidatos ou partidos na pré-campanha presidencial.

O quadro fiscal e a demanda social crescente, sem que o país cresça a números exigidos por um país continental, ainda mais com impedimentos de juros a 15%, exige que as regras atuais sejam modificadas – atualmente a justiça eleitoral só permite o impulsionamento, que amplia a postagem para maior alcance da mensagem por meio de pagamento, apenas para beneficiar o candidato, ou seja, adocicar qualidades e realizações.

Em janeiro, uma das minutas de resoluções do TSE apresentadas, diz que “não caracteriza propaganda eleitoral antecipada negativa a crítica ao desempenho da administração pública, realizada por pessoa natural, ainda que ocorra a contratação de impulsionamento, desde que ausentes elementos relacionados à disputa eleitoral”. Perfeito.

É razoável avaliar a gestão atual com um contraponto para alcance ampliado, e um motivo a mais além dos relacionados acima tem marco simbólico significativo – neste ano o PT alcançou 20 anos no poder central.  Duas décadas! Vejam o que fizeram com a educação como um todo, que continua envergonhando o país, o mais desigual do mundo e que paga o pior salário mínimo da América do Sul, excetuando-se a Venezuela.

Lula durante evento na Bahia. O PT, não apenas ele, por obvio, é responsável pela educação vergonhosa, mas o partido se comprometeu com reforma e transformação quando chegou ao poder, e tudo que fez até agora foi lutar para se manter nele, sem projeto, sem claro rumo para o Brasil.

O partido se queixa que a proposta de resolução questionada gera desequilíbrio potente na disputa, uma vez que Lula poderia ser criticado com posts impulsionados, mas não poderia fazer o mesmo em relação aos seus opositores.

Ora, ora. Quem tem vantagem competitiva na eleição e quem é o gerador de desequilíbrio está justamente no Palácio do Planalto. É o inquilino. É a máquina federal. É o instrumento da reeleição.

Como todo postulante à reeleição, Lula usa e abusa dos recursos disponíveis pelo poder público, desde verbas bilionárias a programas eleitoreiros a vantagens antirrepublicanas patrocinadas para parlamentares fisiológicos, reajustes generosos a privilegiados servidores e muito mais.

Usa e abusa da mídia estatal e privada, na qual despeja mais dinheiro do que em programas sociais importantes.

O PT, em 2004, tentou regular o trabalho da imprensa com a proposta do Conselho Federal de Jornalismo, para acompanhar e fiscalizar o trabalho dos jornalistas. Não cabe, a meu ver, em uma sociedade verdadeiramente democrática, governo regular imprensa. Como se vê, vem de longe a tentativa de impor mordaça ou um freio na liberdade de expressão, agora com ênfase nas redes sociais desde o começo do governo.

Passados 20 anos, o presidente Lula disse na Bahia, em 2024, que os adversários políticos do governo “não valem uma titica de cachorro.”

Além de desprezar – e continuar desprezando desde então – os que na oposição pensam diferente, o bonvivant Presidente revelou ser somente um personagem populista antiquado que faz do slogan “união e reconstrução” mero palavrório da tentativa de ocultar aspirações autoritárias, com manejo maniqueísta do poder para manter subjugados de maneira cada vez mais crescente 95 milhões – quase a metade da população –no Bolsa Família e BPC.

Impedir que o contraponto seja voz impulsionada nas redes sociais é tudo que a hegemonia petista pretende, para seguir com essa tragédia.