Esquema na Receita acessava dados de ministros por R$ 250, diz jornal

Local onde dois funcionários - um cedido do Serpro e outro terceirizado - agiam era em Laranjeiras, bairro do RJ. Está em investigação quem comprou a declaração de IR de Viviane de Moraes e de filho de Luiz Fux.
Moraes nega que tenha trocado mensagens com Vorcaro. Foto: Nelson Jr.

Um esquema identificado na Receita Federal e que ocorreria há anos revelou que dados cadastrais de correntistas eram vendidos por R$ 250. Foi assim que houve o vazamento de imposto de renda da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e filho do ministro Luiz Fux, Rodrigo Fux, revela a jornalista Malu Gaspar, de O Globo.

A venda das informações cadastrais era realizada por dois funcionários terreirizados de uma agência da Receita Federal no Rio de Janeiro, em Laranjeiras. Eles também operavam um esquema d venda de lugar em fila  de atendimento.

Um vigilante terceirizado e um atendente cedido pelo Serviço de Processamento de Dados (Serpro) que atuavam nessa agência admitiram à Receita que dividiam o valor do esquema, R$ 150 para o servidor e R$ 100 para a atendente, e isso era feito há anos. Eles disseram que receberam pedido para acesso aos CPFs e fizeram a pesquisa, sem saber de quem se tratavam.

Está em investigação quem teria comprado as informações de imposto de renda.

Segundo o jornal,  a Receita devolveu o funcionário cedido pelo Serpro  e  uma representação foi aberta na corregedoria, e no último dia 20 o vigilante foi devolvido para a empresa terceirizada.

Os depoimentos, segundo ainda O Globo, foram tomados ainda na fase administrativa da investigação, pela própria Receita Federal, após o ministro Alexandre de Moraes determinar uma investigação sobre possível vazamento de dados, com rastreamento de acesso a dados cadastrais e do imposto de renda de 140 pessoas, ministros do Supremo e parentes.

Depois de passada a informação sobre o esquema a Moraes e à Procuradoria Geral da República o ministro solicitou busca e apreensão sobre quatro funcionários da Receita. Todos tiveram que  usar tornozeleira eletrônica e tiveram passaportes cancelados.