Fraudes no INSS: Ação é ajuizada com pedido de bloqueio de bens no valor de R$ 2,5 bi contra 12 entidades

Investigação aponta que elas são de fachada, e teriam feito pagamento de vantagem indevida a servidores do INSS. Contag e Sindnapi, do irmão de Lula, não fazem parte dessa ação.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, durante o anúncio das ações no dia 8 de maio. Foto: Daniel Estevão.

Uma ação cautelar de urgência foi protocolada nesta quinta-feira, 8, pela Advocacia-Geral da União, representando judicialmente o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), com pedido de bloqueio de bens imóveis e móveis na ordem de R$ 2,5 bilhões contra 12 entidades associativas e seus dirigentes investigadas por descontos ilegais nos benefícios de aposentados e pensionistas.

A AGU declarou que se trata de uma cautelar preparatória para o ajuizamento de uma Ação Civil Pública de Responsabilidade por violação da Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013). O governo pretende  usar os valores bloqueados para ressarcir aposentados e pensionistas vítimas dos descontos não autorizados por eles.

As entidades alvo do bloqueio de bens são:

  1. AAPB (Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil)
  2. AAPPS Universo (Universo Associação dos Aposentados e Pensionistas dos Regimes Geral da Previdência Social)
  3. Ambec (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos)
  4. CBPA (Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura)
  5. Unaspub (União Nacional de Auxílio aos Servidores Públicos)
  6. Aapen (Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional), anteriormente denominada de ABSP (Associação Brasileira dos Servidores Públicos)
  7. Asbrapi (Associação Brasileira dos Aposentados, Pensionistas e Idosos)
  8. Asabasp (Associação de Suporte Assistencial e Beneficente para Aposentados Servidores e Pensionistas do Brasil)
  9. Ap Brasil (Associação no Brasil de Aposentados e Pensionistas da Previdência Social)
  10. Cebap (Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas)
  11. Apdap Prev (Associação de Proteção e Defesa dos Diretios dos Aposentados e Pensionistas)
  12. CAAP (Caixa de Assistência de Aposentados e Pensionistas do INSS).

A ação diz que houve um recorte, realizado pelo INSS, para entrar no bloqueio, deixando de fora quatro entidades: Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical), Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil) e ABCB/Amar Brasil.

“Pesam sobre as entidades rés fortes indícios de terem sido criadas com o único propósito de praticar a fraude (entidade de fachada), com sua constituição utilizando “laranjas”, bem como terem fortes indícios de pagamento de vantagem indevida a agentes públicos para autorizarem os descontos indevidos,” diz o trecho da cautelar.

O governo suspeita que essas organizações não tem recurso para devolver o dinheiro dos aposentados e pensionistas por isso acautelou a ação com urgência na Justiça Federal em Brasília.

O valor de bens móveis e imóveis para bloqueio, definido em R$ 2,5 bilhões, corresponde ao total dos valores apontados inicialmente pela Dataprev (Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social), envolvendo as 12 entidades. De todas relacionadas na ação, a Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos (Ambec), é a que mais promoveu descontos, mais de R$ 500 milhoes, entre dezembro de 2021 a março de 2025.

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