Convidado a falar sobre o crime organizado, o ex-governador e ex-secretário de Segurança do Rio de Janeiro Anthony Garotinho disse nesta terça-feira, 16, que “é total” a infiltração do crime organizado no Poder Judiciário. Ele respondia perguntas do relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
Garotinho acusou o atual mandatário do estado, Cláudio Castro, e o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar de comandarem organizações criminosas no estado. “O Rodrigo Bacellar e o governador montaram duas organizações criminosas. Uma na Assembleia Legislativa e outra no governo do Estado,” afirmou.
Rodrigo Bacellar (União Brasil) foi preso em recente operação e depois solto pelos parlamentares. Ele está com tornozeleira eletrônica. No desdobramento, a Polícia Federal prendeu o desembargador Macário Judice Neto nesta terça-feira, 16. Ambos, segundo as investigações, tem envolvimento com o crime organizado.
Ao ser indagado por Vieira se há infiltração do crime organizado no Poder Judiciário ou uma “infiltração pontual,” Garotinho disse que quando denunciou o então governador Sergio Cabral – condenado a penas superiores a 400 anos, mas preso em casa -, Claudio Lopes, chefe do Ministério Público do Rio foi preso, tinha mesada de R$ 150 mil.
“O desembargador não foi punido. Os peritos do Conselho Nacional de Justiça diziam que ele foi induzido a erro por não ser engenheiro, fizeram grande apelo por ele. Os engenheiros do tribunal foram punidos, ele não. Vemos agora um desembargador preso, o corregedor do MP estadual em gravações comprometedoras em poder da Federal, dando informações a Bacellar. Então, é total,” declarou Garotinho, referindo-se à infiltração.
“Agora mesmo foi afastado lá no Rio também um juiz que em todo plantão ele soltava traficante. E o senhor deve saber quantos habeas corpus foi dado a traficantes o ano passado. Sabe o número? 6.200.” disse o ex-governador.
“Só pela Justiça do Rio de Janeiro?,” pergunta Alessandro Vieira. “Não”, diz Garotinho. “STF e STJ. Só os tribunais superiores.”
Versão sobre operação
Para o ex-governador Garotinho, a operação policial realizada no Morro do Alemão que gerou polêmicas, resultado na morte de mais de 100 bandidos, a maior parte com histórico de crime, e de policiais, foi realizada para o governador Claudio Castro desviar o foco de crime que ele e Bacellar cometeram juntos nas eleições.
“Ele sabia que o voto da relatora Isabel Gallotti – ministra do TSE – não será favorável, seria para arrebentar. Usaram 27 mil cabos eleitorais para receber na boca do caixa o dinheiro. No Rio de Janeiro ele ganhou por 4 a 3, um voto suspeitíssimo de minerva. O juiz virou desembargador dois meses depois,” disse o convidado.
“Então eu acho que a operação no Rio de Janeiro foi um desvio de foco, uma covardia contra a Polícia, morreram 5 policiais e tem vários outros feridos,” conclui Garotinho.
Anthony Garotinho foi o responsável por prender Fernandinho Beira-Mar e 87 líderes do Comando Vermelho. Aos senadores da CPI do Crime Organizado ele disse que em sua visão é preciso aumentar o efetivo da Polícia Federal; federalizar crimes cometidos por organizações criminosas, porque a “grande infiltração de agentes púbicos dessas organizações impede a apuração;” investir em tecnologia e na legislação devem ser enquadradas sim como organizações terroristas.
“Em qualquer país do mundo andar com fuzil na rua é abatido,” disse.
Proteção
No encerramento dos trabalhos da CPI, Anthony Garotinho pediu para o presciente, senador Fabiano Contarato (PT-ES) e relator Alessandro Vieira reforçarem o pedido de proteção policial ao governador do Rio de janeiro Claudio Castro. Garotinho disse que tem segurança feita por policiais do Bope e da PM.